sexta-feira, 21 de abril de 2017

As observações de Kardec



As observações de Kardec

Não há outro critério para se discernir o valor dos Espíritos senão o bom senso. Qualquer fórmula dada pelos próprios Espíritos, com esse fim, é absurda e não pode provir de Espíritos superiores.

A linguagem dos Espíritos superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem qualquer mistura de trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, nunca se vangloriam, não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição entre os demais. A linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares tem sempre algum reflexo das paixões humanas. TODA EXPRESSÃO QUE REVELE BAIXEZA, AUTO-SUFICIÊNCIA, ARROGÂNCIA, FANFARRONICE, MORDACIDADE É SINAL CARACTERÍSTICO DE INFERIORIDADE. E DE MISTIFICAÇÃO, SE O ESPÍRITO SE APRESENTA COM UM NOME RESPEITÁVEL E VENERADO.

Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu estilo, MAS SONDAR-LHES O ÍNTIMO, ANALISAR SUAS PALAVRAS, PESÁ-LAS FRIAMENTE, MADURAMENTE E SEM PREVENÇÃO. TODA FALTA DE LÓGICA, DE RAZÃO E DE PRUDÊNCIA não pode deixar dúvida quanto à sua origem, qualquer que seja o nome de que o Espírito se enfeite.

Os Espíritos bons só dizem o que sabem, calando-se ou confessando a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se importar com a verdade. Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom senso revela a fraude, se o Espírito se apresenta como esclarecido.

OS ESPÍRITOS LEVIANOS SÃO AINDA RECONHECIDOS PELA FACILIDADE COM QUE PREDIZEM O FUTURO e se referem com precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas jamais precisam as datas. TODO ANÚNCIO DE ACONTECIMENTO PARA UMA ÉPOCA CERTA É INDÍCIO DE MISTIFICAÇÃO.

Os Espíritos superiores se exprimem de maneira simples, sem prolixidade. Seu estilo é conciso, sem excluir a poesia das idéias e das expressões, claro, inteligível a todos, não exigindo esforço para a compreensão. Eles possuem a arte de dizer muito em poucas palavras, porque cada palavra tem o seu justo emprego. Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empoladas o vazio das idéias. Sua linguagem é sempre pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a pretexto de parecer profunda.

 Os Espíritos bons jamais dão ordens: não querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição. São exclusivistas e absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a máscara.

Devemos igualmente desconfiar dos Espíritos que se apresentam com muita facilidade usando nomes bastante venerados, e só com muita reserva aceitar o que dizem. Nesses casos, sobretudo, é que um controle severo se torna indispensável. Porque é freqüentemente a máscara que usam para levar-nos a crer em pretensas relações íntimas com Espíritos excelsos. Dessa maneira eles lisonjeiam a vaidade do médium e se aproveitam dela para o induzirem a atos lamentáveis e ridículos.

Allan Kardec
O Livro dos Médiuns cap 24 

Wilson Moreno

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