O alerta de Erasto.
Os falsos profetas não existem
apenas entre os encarnados. Encontram-se também, em número muito grande, entre
os Espíritos orgulhosos que sob as falsas aparências de amor e caridade semeiam
a desunião e retardam a obra de emancipação da humanidade, ao lançarem entre as
criaturas seus sistemas absurdos, que fazem os médiuns aceitar. Para melhor
fascinar os que eles querem enganar, para dar mais peso às suas teorias, eles
se enfeitam sem escrúpulos de nomes que os homens pronunciam com respeito, como
os de santos justamente venerados, os nomes de Jesus, de Maria e do próprio
Deus.
São eles os que semeiam os
fermentos da discórdia entre os grupos, que os impelem a isolar-se uns dos
outros e a se olharem enciumados. Bastaria isso para os desmascarar, pois
agindo assim eles mesmos dão o mais formal desmentido ao que dizem ser. Cegos,
portanto, são os homens que se deixam apanhar em armadilha tão grosseira.
Mas há muitos outros meios de os
reconhecer. Os Espíritos da ordem a que eles dizem pertencer devem ser não só
muito bons, mas também eminentemente lógicos e racionais. Pois bem, passai os
seus sistemas pela peneira da razão e do bom senso e vereis o que deles
restará. Concordai, pois, comigo, que toda vez que um Espírito indica, como
remédio para os males da humanidade, ou como meio de se atingir a sua transformação,
medidas utópicas e impraticáveis, pueris e ridículas, quando formula sistemas
contraditórios com as mais vulgares noções da Ciência, não pode ser mais do que
um Espírito ignorante e mentiroso.
É incontestável que, submetendo
ao crivo da razão e da lógica todas as informações e comunicações dos
Espíritos, será fácil repelir o absurdo e o erro.
Erasto
O Livro dos Médiuns Capítulo XXXI
Sobre as Sociedades Espíritas (continuação)
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