quarta-feira, 26 de abril de 2017

Não basta ser Espírito para possuir a ciência universal, de outro modo a morte nos tornaria quase ou iguais a Deus.



As orientações de Kardec

Revista Espírita ANO 3 - ABRIL 1860 - Nº. 4

Não basta ser Espírito para possuir a ciência universal, de outro modo a morte nos tornaria quase ou iguais a Deus. O simples bom senso, de resto, recusa-se a admitir que o Espírito de um selvagem, de um ignorante ou de um mau, desde o momento que esteja livre da matéria, esteja no nível de sábio ou do homem de bem; isso não seria racional.

Há, pois, Espíritos avançados, e outros mais ou menos atrasados que devem percorrer mais de uma etapa, passar por numerosos e severos exames, antes de estarem despojados de todas as suas imperfeições. Isso resulta que se encontram, no mundo dos Espíritos, todas as variedades morais e intelectuais que se encontram entre os homens, e muitas outras ainda; ora, a experiência prova que os maus se comunicam tão bem quanto os bons. Aqueles que são francamente maus são facilmente reconhecíveis; mas há também, entre eles, os meio sábios, os falsos sábios, os presunçosos, os sistemáticos e mesmo os hipócritas; aqueles são os mais perigosos porque afetam uma aparência de seriedade, de sabedoria e de ciência, a favor da qual debitam, freqüentemente, no meio de algumas verdades, de algumas boas máximas, as coisas mais absurdas; e para melhor enganarem, não temem em se ornarem com os nomes mais respeitáveis.

DISTINGUIR O VERDADEIRO DO FALSO, DESCOBRIR A FRAUDE ESCONDIDA SOB UMA PARADA DE GRANDES PALAVRAS, DESMASCARAR OS IMPOSTORES, EIS AÍ, SEM CONTRADITA, UMA DAS MAIORES DIFICULDADES DA CIÊNCIA ESPÍRITA. Para superá-la é preciso uma longa experiência, conhecer todas as astúcias das quais são capazes os Espíritos de baixo estágio, ter muita prudência, ver as coisas com o mais imperturbável sangue frio, e se guardar, sobretudo, contra o entusiasmo que cega. Com habilidade e um pouco de tato chega-se facilmente a ver a ponta da orelha, mesmo sob a ênfase da mais pretensiosa linguagem.

Mas infeliz o médium que se crê infalível, que se ilude sobre as comunicações que recebe: o Espírito que o domina pode fasciná-lo ao ponto de fazê-lo achar sublime o que, freqüentemente, é simples absurdo e salta aos olhos de todos quanto dele mesmo.

QUANTO MAIS OS NOMES SEJAM ELEVADOS, MAIS É NECESSÁRIO ACOLHÊ-LOS COM CIRCUNSPEÇÃO, E TEMER SER O JOGUETE DE UMA MISTIFICAÇÃO. EM RESUMO, O GRANDE CRITÉRIO DO ENSINAMENTO DADO PELOS ESPÍRITOS É A LÓGICA. DEUS DEU-NOS O JUÍZO E A RAZÃO PARA DELES NOS SERVIRMOS; OS BONS ESPÍRITOS NO-LO RECOMENDAM, E NISSO DÃO UMA PROVA DE SUA SUPERIORIDADE; OS OUTROS DISSO SE GUARDAM MUITO BEM: QUEREM SER ACREDITADOS SOB PALAVRA, POIS BEM SABEM QUE TÊM TUDO A PERDER COM O EXAME.

Allan Kardec

Revista Espírita ANO 3 - ABRIL 1860 - Nº. 4



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