As orientações de Kardec
Revista Espírita ANO 3
- ABRIL 1860 - Nº. 4
Não basta ser Espírito para
possuir a ciência universal, de outro modo a morte nos tornaria quase ou iguais
a Deus. O simples bom senso, de resto, recusa-se a admitir que o Espírito de um
selvagem, de um ignorante ou de um mau, desde o momento que esteja livre da
matéria, esteja no nível de sábio ou do homem de bem; isso não seria racional.
Há, pois, Espíritos avançados, e
outros mais ou menos atrasados que devem percorrer mais de uma etapa, passar
por numerosos e severos exames, antes de estarem despojados de todas as suas
imperfeições. Isso resulta que se encontram, no
mundo dos Espíritos, todas as variedades morais e intelectuais que se encontram
entre os homens, e muitas outras ainda; ora, a experiência prova que os maus se
comunicam tão bem quanto os bons. Aqueles que são francamente maus são
facilmente reconhecíveis; mas há também, entre eles, os meio sábios, os falsos
sábios, os presunçosos, os sistemáticos e mesmo os hipócritas; aqueles são os
mais perigosos porque afetam uma aparência de seriedade, de sabedoria e de
ciência, a favor da qual debitam, freqüentemente, no meio de algumas verdades,
de algumas boas máximas, as coisas mais absurdas; e para melhor enganarem, não
temem em se ornarem com os nomes mais respeitáveis.
DISTINGUIR O VERDADEIRO DO FALSO,
DESCOBRIR A FRAUDE ESCONDIDA SOB UMA PARADA DE GRANDES PALAVRAS, DESMASCARAR OS
IMPOSTORES, EIS AÍ, SEM CONTRADITA, UMA DAS MAIORES DIFICULDADES DA CIÊNCIA
ESPÍRITA. Para superá-la é preciso uma longa experiência, conhecer todas as
astúcias das quais são capazes os Espíritos de baixo estágio, ter muita
prudência, ver as coisas com o mais imperturbável sangue frio, e se guardar,
sobretudo, contra o entusiasmo que cega. Com habilidade e um pouco de tato
chega-se facilmente a ver a ponta da orelha, mesmo sob a ênfase da mais
pretensiosa linguagem.
Mas infeliz o médium que se crê
infalível, que se ilude sobre as comunicações que recebe: o Espírito que o
domina pode fasciná-lo ao ponto de fazê-lo achar sublime o que, freqüentemente,
é simples absurdo e salta aos olhos de todos quanto dele mesmo.
QUANTO MAIS OS NOMES SEJAM
ELEVADOS, MAIS É NECESSÁRIO ACOLHÊ-LOS COM CIRCUNSPEÇÃO, E TEMER SER O JOGUETE
DE UMA MISTIFICAÇÃO. EM RESUMO, O GRANDE CRITÉRIO DO ENSINAMENTO DADO PELOS
ESPÍRITOS É A LÓGICA. DEUS DEU-NOS O JUÍZO E A RAZÃO PARA DELES NOS SERVIRMOS;
OS BONS ESPÍRITOS NO-LO RECOMENDAM, E NISSO DÃO UMA PROVA DE SUA SUPERIORIDADE;
OS OUTROS DISSO SE GUARDAM MUITO BEM: QUEREM SER ACREDITADOS SOB PALAVRA, POIS
BEM SABEM QUE TÊM TUDO A PERDER COM O EXAME.
Allan Kardec
Revista Espírita ANO 3
- ABRIL 1860 - Nº. 4
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