quinta-feira, 27 de abril de 2017

Sobre os Espíritos. Revista Espírita ANO 7 - ABRIL 1864 - Nº. 4 de Kardec



Sobre os Espíritos.

Revista Espírita ANO 7 - ABRIL 1864 - Nº. 4 de Kardec

Os Espíritos não são, como se pensa freqüentemente, seres à parte na criação; são as almas daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros mundos. As almas ou Espíritos são, pois, uma só e mesma coisa; de onde se segue que quem crê na existência da alma, crê, por isso mesmo, na dos Espíritos.
Geralmente, faz-se um idéia muito falsa do estado dos Espíritos; estes não são, como alguns o crêem, seres vagos e indefinidos, nem chamas como os fogos fátuos, nem fantasmas como nos contos de assombrações. São seres semelhantes a nós, tendo um corpo como o nosso, mas fluídico e invisível no estado normal.

Quando a alma está unida ao corpo durante a vida, ela tem um duplo envoltório:
um  pesado,  grosseiro  e  destrutível  que  é  o  corpo;
o  outro  fluídico,  leve  e  indestrutível, chamado perispírito.
O perispírito é o laço que une a alma e o corpo; é por seu intermédio que a alma faz o corpo agir, e que percebe as sensações sentidas pelo corpo.

A morte não é senão a destruição do envoltório grosseiro; a alma abandona esse envoltório, como se despe de uma roupa usada, ou como a borboleta deixa a sua crisálida; mas ela conserva o seu corpo fluídico ou perispírito.

Uma idéia quase geral entre as pessoas que não conhecem o Espiritismo é de crer que os Espíritos, só pelo fato de estarem livres da matéria, devem tudo saber e possuir a soberana sabedoria. Está aí um erro  grave.  Deixando  o  seu  envoltório  corpóreo, eles não se despojam imediatamente de suas imperfeições; não é senão com o tempo que se depuram e se melhoram.

Sendo os Espíritos as almas dos homens, como há homens de todos os graus de saber e de ignorância, dê bondade e de maldade, encontra-se a mesma coisa entre os Espíritos. Há deles que não são senão levianos e traquinas, outros são mentirosos, velhacos, hipócritas, maus, vingativos; outros, ao contrário, possuem as mais sublimes virtudes  e  o  saber  num  grau  desconhecido  sobre  a  Terra.  Essa  diversidade  na  qualidade dos Espíritos é um dos pontos mais importantes a considerar, porque explica a natureza boa ou má das comunicações que se recebem; é a distingui-las que é preciso sobretudo se empenhar.

Disso resulta que não basta se dirigir a um Espírito qualquer para ter uma resposta justa a toda pergunta; porque o Espírito responderá segundo o que sabe, e, freqüentemente, não dará senão a sua opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa. Se for sábio, confessará a sua ignorância sobre o que não sabe; se for leviano ou mentiroso, responderá sobre tudo sem se importar com a verdade; dará sua idéia como uma verdade absoluta. Foi por isso que São João o evangelista disse: "Não creiais em todo Espírito, mas experimentai se os Espíritos são de Deus." A experiência prova a sabedoria deste conselho. Haveria, pois, imprudência e leviandade em aceitar sem controle tudo o que vem dos Espíritos.

Os Espíritos não podem responder senão  sobre aquilo que sabem, e, além disso, sobre o que lhes é permitido dizer, porque há coisas que não devem revelar, porque não é dado ainda aos homens tudo conhecerem.
Reconhece-se  a  qualidade  dos  Espíritos  pela  sua  linguagem;  a  dos  Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de toda trivialidade, puerilidade ou contradição; ela respira a sabedoria, a benevolência e a modéstia; é concisa e sem palavras inúteis. A dos Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos carece dessas qualidades; o vazio das idéias nela é quase sempre compensado pela abundância das palavras.

Revista Espirita ANO 7 - ABRIL 1864 - Nº. 4 de Kardec

Wilson Moreno

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