Considerações sobre "umbral"
Percebamos:
Em O Céu e o Inferno, Código Penal da Vida Futura, Kardec afirma:
"Se se pode conceber um lugar circunscrito de castigo, tal lugar é, sem dúvida, nesses mundos de expiação..."
"É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências..."
"Dependente o sofrimento da imperfeição, como o gozo da perfeição, a Alma traz consigo o próprio castigo ou prêmio, onde quer que se encontre, sem necessidade de lugar circunscrito."
"O inferno está por toda parte em que haja almas sofredoras, e o Céu igualmente onde houver almas felizes.
"O Livro dos Espíritos, Pergunta 1013:
Kardec: Que se deve entender por purgatório?
Resposta dos Espíritos Superiores: Dores físicas e morais: o tempo da expiação.
Kardec comenta: O que o
homem chama purgatório é igualmente uma alegoria, devendo-se entender
como tal, não um lugar determinado, porém o estado dos Espíritos
imperfeitos, que se acham em expiação até alcançarem a purificação
completa, que os elevará à categoria dos Espíritos bem-aventurados.
Operando-se essa purificação por meio das diversas encarnações, o purgatório consiste nas provas da vida corporal.
O Livro dos Espíritos, Pergunta 1014a:
Kardec: Como, porém, se
explica que, interrogados acerca da situação em que se achavam, alguns
Espíritos tenham respondido que sofriam as torturas do inferno ou do
purgatório?
Resposta dos Espíritos Superiores: Quando são inferiores e ainda não completamente desmaterializados,
os Espíritos conservam uma parte de suas ideias terrenas e, para dar
suas impressões, se servem dos termos que lhes são familiares. Acham-se
num meio que só imperfeitamente lhes permite sondar o futuro. Essa a causa de alguns Espíritos errantes, ou recém-desencarnados, falarem como o fariam se estivessem encarnados. Inferno se pode traduzir por uma vida de provações, extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor; purgatório, por uma vida também de provações, mas com a consciência de melhor futuro. Quando experimentas uma grande dor, não costumas dizer que sofres como um danado? Tudo isso são apenas palavras e sempre ditas em sentido figurado.
O Livro dos Espíritos, Pergunta 1017:
Kardec: Alguns Espíritos disseram estar habitando o quarto, o quinto céus etc. Que queriam dizer com isso?
Resposta dos Espíritos
Superiores: Perguntando-lhes que céu habitam, é que formais ideia de
muitos céus dispostos como os andares de uma casa. Eles, então,
respondem de acordo com a vossa linguagem. Por estas palavras — quarto e
quinto céus —, porém, exprimem diferentes graus de purificação e, por
conseguinte, de felicidade. É exatamente como quando se pergunta a um
Espírito se está no inferno. Se for desgraçado, dirá — sim, porque, para
ele, inferno é sinônimo de sofrimento. Sabe, porém, muito bem que não é
uma fornalha. Um pagão diria estar no Tártaro.
Kardec comenta: O mesmo
ocorre com outras expressões análogas, tais como: cidade das flores,
cidade dos eleitos, primeira, segunda, ou terceira esfera etc., que
apenas são alegorias usadas por alguns Espíritos, quer como figuras,
quer, algumas vezes, por ignorância da realidade das coisas, e até das
mais simples noções científicas. Daí as expressões: subir ao céu,
estar no mais alto dos céus, ser precipitado nos infernos. Hoje, que a
Ciência demonstrou ser a Terra apenas, entre tantos milhões de outros,
um dos menores mundos, sem importância especial; que traçou a história
da sua formação e lhe descreveu a constituição; que provou ser infinito o
Espaço, não haver alto nem baixo no Universo, teve-se que renunciar a
situar o céu acima das nuvens e o inferno nos lugares inferiores. Quanto
ao purgatório, nenhum lugar lhe fora designado. Estava
reservado ao Espiritismo dar de tudo isso a explicação mais racional,
mais grandiosa e, ao mesmo tempo, mais consoladora para a Humanidade. Pode-se assim dizer que trazemos em nós mesmos o nosso inferno e o nosso paraíso. O purgatório, achamo-lo na encarnação, nas vidas corporais ou físicas.
Para fechar o raciocínio necessário:
"Pergunta (A São Luís.): Tende a bondade de nos descrever o gênero de suplício deste Espírito.
Resposta: É atroz, porque está condenado a habitar a casa em que cometeu o crime,
sem poder fixar o pensamento noutra coisa que não no crime, tendo-o
sempre ante os olhos e acreditando na eternidade de tal tortura.
Está como no momento do próprio crime, porque qualquer outra recordação lhe foi retirada e interdita toda comunicação com qualquer outro Espírito. Sobre a Terra, só pode permanecer naquela casa, e no Espaço só lhe restam solidão e trevas.
Está como no momento do próprio crime, porque qualquer outra recordação lhe foi retirada e interdita toda comunicação com qualquer outro Espírito. Sobre a Terra, só pode permanecer naquela casa, e no Espaço só lhe restam solidão e trevas.
Pergunta: Estando em tal situação há dois séculos,
apreciará ele todo esse tempo como se fora encarnado, isto é, o tempo
parecer-lhe-á tanto ou menos longo do que quando na Terra?
Resposta: Mais longo: o sono não existe para ele.
O Céu e o Inferno, Segunda Parte - Capítulo VI, Criminosos arrependidos.
Então... "umbral" existe?
Somente para lembrar:
Em O Céu e o Inferno, Código Penal da Vida Futura, Kardec afirma:
"É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências..."
Em O Céu e o Inferno, Código Penal da Vida Futura, Kardec afirma:
"É na vida corpórea que o Espírito repara o mal de anteriores existências..."
Grifos: Site Firmeza e Brandura
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