quarta-feira, 16 de agosto de 2017

As Orientações de Leon Denis sobre as Mistificações

As Orientações de Leon Denis sobre as Mistificações

A mediunidade intuitiva, dizíamos nós, não deve ser desdenhada, porque com o exercício se desenvolve e torna-se bem definida. Entretanto, é preciso - como a respeito de todas as produções mediúnicas - JAMAIS DEIXAR DE SUBMETER OS SEUS RESULTADOS À INSPEÇÃO DE NOSSO CRITÉRIO E RACIOCÍNIO.
Não é a credulidade menor mal que o cepticismo intransigente. O discernimento e uma certa educação cientifica são necessários para determinar a verdadeira origem e o valor das comunicações, para fazer a distinção entre as diferentes causas que intervêm no fenômeno.

A autenticidade das mensagens é, às vezes, difícil de estabelecer-se. O ABUSO DE NOMES CÉLEBRES, DE PERSONALIDADES VENERADAS ENTRE OS HOMENS É FREQÜENTEMENTE PRATICADO e torna-se um elemento de dúvida e de confusão para os observadores. Certas produções, de deplorável banalidade, num estilo incorretíssimo, subscritas por nomes ilustres, despertam a desconfiança e levam muitas pessoas a considerar o Espiritismo uma grosseira mistificação. Para o analista calmo e imparcial esses abusos demonstram simplesmente uma coisa: é que o autor do ditado nem sempre é o que diz ser. NO MUNDO INVISÍVEL, COMO ENTRE NÓS, HÁ ESPÍRITOS EMBUSTEIROS, SEMPRE PRONTOS A APROPRIAR-SE DE TÍTULOS OU MERECIMENTOS, A QUE NENHUM DIREITO POSSUEM, COM O FIM DE SE IMPOREM AO VULGO.

É, PORTANTO, NECESSÁRIO DAR MAIS ATENÇÃO AO PRÓPRIO CONTEÚDO DAS COMUNICAÇÕES QUE AO NOME QUE AS SUBSCREVE. PELA OBRA SE JULGA O OPERÁRIO. Os Espíritos superiores, para se fazerem reconhecer, em lugar dos nomes que usavam na Terra, adotam de bom grado termos alegóricos.

Em regra, os nomes e títulos não têm no outro mundo a importância que lhes damos. Os julgamentos do Espaço não são os da Terra, e muitos nomes que fulguram na história humana se eclipsam na outra vida. As obras de dedicação, amor e caridade constituem lá valiosos e duradouros títulos. Os que as edificaram nem sempre hão deixado seus nomes na memória dos homens. Passaram obscuros, quase desconhecidos neste mundo, mas a lei divina consagrou sua existência, e sua alma refulge com um brilho que muitos Espíritos, reputados grandes entre nós, estão longe de possuir.

HÁ NAS REGIÕES INFERIORES DO ESPAÇO, COMO NA TERRA, ESPÍRITOS SOFÍSTICOS QUE TRATAM DE IMPINGIR SUAS CONCEPÇÕES SOB A CAPA DE NOMES POMPOSOS. NELES, O ERRO SE DISSIMULA SOB AS FORMAS AUSTERAS OU SEDUTORAS, QUE ILUDEM, E SÃO POR ISSO AINDA MAIS PERIGOSAS. É PRINCIPALMENTE EM TAIS CASOS QUE SE DEVE EXERCER O NOSSO DISCERNIMENTO. NÃO DEVEMOS ADOTAR AS OPINIÕES DE UM ESPÍRITO, SIMPLESMENTE PORQUE SE TRATA DE UM ESPÍRITO, MAS UNICAMENTE SE NOS PARECEM JUSTAS E BOAS.

Devemos discutir e averiguar as produções do Além com a mesma liberdade de apreciação com que julgamos as dos autores terrestres. O ESPÍRITO NÃO É MAIS QUE UM HOMEM LIBERTADO DE SEU CORPO CARNAL; COM A MORTE NÃO ADQUIRE A INFALIBILIDADE. O espaço que nos envolve é povoado de uma multidão invisível pouco evoluída. Acima dela, porém, há elevadas e nobres Inteligências, cujos ensinos nos devem ser preciosos. Podemos reconhecê-las pela sabedoria que as inspira, pela clareza e amplitude de suas apreciações.

Leon Denis
No Invisível.

Wilson Moreno

sábado, 12 de agosto de 2017

As Observações de Kardec sobre a Magia, as crendices e superstições.



As Observações de Kardec sobre a Magia, as crendices e superstições.

Os princípios do Espiritismo NÃO TÊM NENHUMA RELAÇÃO COM A MAGIA. Assim, nada de Espíritos às ordens dos homens, nada de meios para constrangê-los, nada de signos ou fórmulas cabalísticas, nada de descobertas de tesouros ou de processos para enriquecimento, nada de milagres ou prodígios, de adivinhações ou de aparições fantásticas. Enfim, nada do que constitui o fim e os elementos essenciais da magia. O ESPIRITISMO NÃO SOMENTE DESAPROVA TODAS ESSAS COISAS, COMO DEMONSTRA O ABSURDO DA SUA PRÁTICA E A SUA INEFICÁCIA. Não há, pois, nenhuma analogia entre o fim e os meios da magia e os do Espiritismo. Querer assimilá-los só pode ser obra de ignorância ou de má-fé. E como os princípios do Espiritismo nada têm de secreto, estando formulados em termos claros e sem possibilidades de equívocos, nenhum engano a respeito poderia prevalecer.

As acusações da Igreja contra a prática das evocações não se aplicam ao Espiritismo, pois se referem principalmente às práticas da magia com as quais o Espiritismo nada tem de comum. O ESPIRITISMO CONDENA ESSAS PRÁTICAS DA MESMA FORMA QUE A IGREJA, não atribui nenhum papel indigno aos Espíritos bons e declara, por fim, nada pedir nem obter sem a permissão de Deus.

Pode haver sem dúvida pessoas que abusam das evocações, que brincam com elas, que as desviam do seu fim providencial para as submeter aos seus interesses pessoais, que, por ignorância, leviandade, orgulho ou cupidez se afastam dos verdadeiros princípios da doutrina. MAS O ESPIRITISMO AS DESAPROVA, COMO A VERDADEIRA RELIGIÃO DESAPROVA OS FALSOS DEVOTOS E OS EXCESSOS DO FANATISMO. Não é, pois, nem lógico nem justo imputar ao Espiritismo os abusos que ele condena ou as faltas daqueles que não o compreendem. Antes de formular uma acusação é necessário verificar se ela é justa.

Diremos, pois: a censura da Igreja cai sobre os charlatães, os exploradores, as práticas da magia e da feitiçaria. Nesse sentido, ela tem razão. QUANDO A CRÍTICA RELIGIOSA CASTIGA OS ABUSOS E ESTIGMATIZA O CHARLATANISMO, NA VERDADE FAZ MELHOR RESSALTAR A PUREZA DA VERDADEIRA DOUTRINA QUE, ASSIM AJUDA A SE DESEMBARAÇAR DAS ESCÓRIAS PREJUDICIAIS. Com isso, ela facilita a nossa tarefa. Seu erro está em confundir o bem e o mal, na maioria das vezes por ignorância, e em algumas por má fé. Mas a distinção que nesses casos ela deixa de fazer, outros a fazem. De qualquer maneira, essa censura, à qual todo espírita sincero se associa, desde que aplicada ao mal, não pode atingir a doutrina.

Allan Kardec
O Céu e o Inferno Capítulo X item 11 e 15
Intervenção dos Demônios nas Manifestações Modernas

Vou destacar essa frase de Kardec sobre a critica.
QUANDO A CRÍTICA RELIGIOSA CASTIGA OS ABUSOS E ESTIGMATIZA O CHARLATANISMO, NA VERDADE FAZ MELHOR RESSALTAR A PUREZA DA VERDADEIRA DOUTRINA QUE, ASSIM AJUDA A SE DESEMBARAÇAR DAS ESCÓRIAS PREJUDICIAIS.

Wilson Moreno

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

PROCEDIMENTOS PARA AFASTAR OS MAUS ESPÍRITOS.



PROCEDIMENTOS PARA AFASTAR OS MAUS ESPÍRITOS.

Revista Espirita ANO 2 – SETEMBRO 1859 – Nº. 9 de Kardec

Os bons Espíritos não obsidiam jamais; os maus se impõem em todos os instantes; é por isso que todo médium deve desconfiar da necessidade irresistível de escrever que se apodera dele nos momentos mais inoportunos.  Esse não é nunca o fato de um bom Espírito, e não deve a isso ceder.

Os Espíritos superiores têm, como dissemos em muitas circunstâncias, uma LINGUAGEM SEMPRE DIGNA, NOBRE, ELEVADA, SEM MISTURA COM QUALQUER TRIVIALIDADE; eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, não se vangloriam nunca, não exibem jamais seu saber nem sua posição entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares tem sempre algum reflexo das paixões humanas; TODA A EXPRESSÃO QUE EXALA A BAIXEZA, A SUFICIÊNCIA, A ARROGÂNCIA, A FANFARRICE, A ACRIMÔNIA, É UM INDÍCIO CARACTERÍSTICO DE INFERIORIDADE, OU DE FRAUDE SE O ESPÍRITO SE APRESENTA SOB UM NOME RESPEITÁVEL E VENERADO.

Os bons Espíritos não dizem senão o que sabem; eles se calam ou confessam sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se importarem com a verdade. TODA HERESIA CIENTÍFICA NOTÓRIA, TODO PRINCÍPIO QUE CHOCA COM A RAZÃO E O BOM SENSO, MOSTRA A FRAUDE SE O ESPÍRITO SE DÁ POR UM ESPÍRITO ESCLARECIDO.
Os bons Espíritos nunca mandam; não se impõem: eles aconselham, e, se não são escutados, se retiram. Os maus são imperiosos: dão ordem, e querem ser obedecidos.  Todo Espírito que se impõe trai sua origem.

Os bons Espíritos não lisonjeiam; eles aprovam quando se faz bem, mas sempre com reserva; os maus dão elogios exagerados, estimulam o orgulho e vaidade pregando a humildade, E PROCURAM EXALTAR A IMPORTÂNCIA PESSOAL DAQUELES QUE QUEREM CAPTAR.

Os  Espíritos superiores estão acima das puerilidades das formas, em todas as coisas; para eles o pensamento é tudo, a forma nada é. Só os Espíritos vulgares podem ligar importância a certos detalhes incompatíveis com ideias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é um sinal de inferioridade e fraude da parte de um Espírito que toma o nome imponente.

É necessário desconfiar de NOMES BIZARROS E RIDÍCULOS QUE TOMAM CERTOS ESPÍRITOS QUE QUEREM SE IMPOR À CREDULIDADE; SERIA SOBERANAMENTE ABSURDO TOMAR ESSES NOMES A SÉRIO.

É necessário igualmente desconfiar daqueles que se apresentam, muito facilmente, SOB NOMES EXTREMAMENTE VENERADOS, E NÃO ACEITAR SUAS PALAVRAS SENÃO COM A MAIOR RESERVA; É AÍ SOBRETUDO QUE UM CONTROLE SEVERO É INDISPENSÁVEL, porque, frequentemente, trata-se de uma máscara que tomam para fazer crer em pretensas relações íntimas com os Espíritos fora de linha. Por esse meio eles agradam a vaidade, e dele se aproveitam para induzir, frequentemente, a diligências lamentáveis ou ridículas.

Os bons Espíritos são muitos escrupulosos sobre os meios que possam aconselhar; eles não têm jamais, em todos os casos, senão um objetivo sério e eminentemente útil. Deve-se, pois, olhar com suspeitas todos aqueles que não tenham esse caráter e maduramente refletir antes de executá-los.

 Os bons Espíritos não prescrevem senão o bem. Toda máxima, todo conselho que não esteja estritamente conforme a pura caridade evangélica não pode ser a obra de bons Espíritos; ocorre o mesmo com toda insinuação malévola tendente a excitar ou entreter sentimentos de ódio, de ciúme ou de egoísmo.

OS BONS ESPÍRITOS NÃO ACONSELHAM JAMAIS SENÃO COISAS PERFEITAMENTE RACIONAIS; toda recomendação que se afastasse da direita linha do bom senso e das leis imutáveis da Natureza acusa um Espírito limitado e ainda sob a influência de preconceitos terrestres, e, por conseguinte, pouco digno de confiança.

Allan Kardec

Revista Espirita ANO 2 – SETEMBRO 1859 – Nº. 9 de Kardec

Wilson Moreno



terça-feira, 1 de agosto de 2017

As Crendices e superstições.



As Crendices e superstições.

Objetos materiais como amuletos, talismã, velas, imagens, exorcismos, roupas brancas, sinais cabalísticos e palavras sacramentais não possuem nenhum valor espiritual para afastar os maus espiritos, tudo reside em nossos pensamentos, sentimentos e conduta moral, vejamos essas explicações de Kardec da obra O Livro dos Espíritos.

553. Qual pode ser o efeito de fórmulas e práticas com as quais certas pessoas pretendem dispor da vontade dos Espíritos?

— O de as tornar ridículas, se são de boa-fé; no caso contrário são tratantes que merecem castigo. TODAS AS FÓRMULAS SÃO CHARLATANICES; NÃO HÁ NENHUMA PALAVRA SACRAMENTAL, NENHUM SIGNO CABALÍSTICO, NENHUM TALISMÃ QUE TENHA QUALQUER AÇÃO SOBRE OS ESPÍRITOS, PORQUE ELES SÓ SÃO ATRAÍDOS PELO PENSAMENTO E NÃO PELAS COISAS MATERIAIS.

553.a. Certos Espíritos não ditaram, algumas vezes, fórmulas cabalísticas?
— Sim, tendes Espíritos que vos indicam signos, palavras bizarras, ou que vos prescrevem certos atos, com a ajuda dos quais fazeis aquilo que chamais conjuração. MAS FICAI BEM SEGUROS DE QUE SÃO ESPÍRITOS QUE ZOMBAM DE VÓS E ABUSAM DE VOSSA CREDULIDADE.

554. Aquele que, com ou sem razão, confia naquilo a que chama virtude de um talismã, não pode, por essa mesma confiança, atrair um Espírito? Porque então é o pensamento que age; o talismã não é um signo que ajuda a dirigir o pensamento?

— Isso é verdade; mas a natureza do Espírito atraído depende da natureza da intenção e da elevação dos sentimentos. Ora, é difícil que aquele que é tão simplório para crer na virtude de um talismã não tenha um objetivo mais material do que moral. QUALQUER QUE SEJA O CASO, ISSO INDICA ESTREITEZA E FRAQUEZA DE IDÉIAS, QUE DÃO AZO AOS ESPÍRITOS IMPERFEITOS E ZOMBADORES.

477. As fórmulas de exorcismo têm qualquer eficácia contra os maus Espíritos?

— NÃO; QUANDO ESSES ESPÍRITOS VÊEM ALGUÉM TOMÁ-LAS A SÉRIO, RIEM E SE OBSTINAM.

Nenhum objeto, medalha ou talismã tem a propriedade de atrair ou de repelir os Espíritos. As coisas materiais não tem nenhum poder sobre eles. Jamais um bom Espírito aconselha essas práticas absurdas. A virtude dos talismãs nunca existiu, a não ser na imaginação das pessoas crédulas. (O Livro dos Médiuns, cap. XXV.)

Como explica Kardec essas coisas materiais ou objetos materiais não possuem nenhum valor espiritual para afastar os maus espíritos, somente nossos pensamentos elevados e positivos e a pratica do bem, da caridade e das virtudes e a elevação moral podem repelir os espíritos inferiores e obsessores.
Cuidado com esses espíritos desencarnados que mandam os encarnados usarem velas, amuletos, talismã, roupas brancas são espíritos inferiores e atrasados que pregam essas coisas ou podem ser espíritos mistificadores querendo enganar as pessoas com essas praticas místicas e tolas.
E cuidado com esses espíritos que pedem coisas materiais como cigarros, charutos, bebidas alcoólicas, comida, despachos somente espíritos inferiores e materializados é que pedem essas coisas materiais, são espíritos ainda atrasados moralmente eles ainda estão apegados ao plano terreno.
Um espírito elevado não vai mandar ninguém beber e fumar e nem fazer despachos.

Wilson Moreno


Escolhos dos Médiuns Revista Espírita ANO 2 - FEVEREIRO 1859 - Nº. 2 de Kardec



Escolhos dos Médiuns

Revista Espírita  ANO 2  -  FEVEREIRO 1859 - Nº. 2 de Kardec


Se não quisermos ser vítimas de Espíritos levianos, É NECESSÁRIO JULGÁ-LOS, E PARA ISSO TEMOS UM CRITÉRIO INFALÍVEL: O BOM SENSO E A RAZÃO. 

Sabemos que as qualidades de linguagem, que caracterizam entre nós os homens realmente bons e superiores, são as mesmas para os Espíritos. Devemos julgá-los por sua linguagem. Nunca seria demais repetir o que a caracteriza nos Espíritos elevados: é constantemente digna, nobre, sem basófia nem contradição, isenta de trivialidades, marcada por um cunho de inalterável benevolência.

Os bons Espíritos aconselham; não ordenam; não se impõem; calam-se naquilo que ignoram. Os Espíritos levianos falam com a mesma segurança do que sabem e do que não sabem; a tudo respondem sem se preocuparem com a verdade.  Em mensagem supostamente séria, vimo-los, com imperturbável audácia, colocar César no tempo de Alexandre; outros afirmavam que não é a Terra que gira em redor do Sol.
Resumindo: toda expressão grosseira ou apenas inconveniente, toda marca de orgulho e de presunção, toda máxima contrária à sã moral, toda notória heresia científica é, nos Espíritos como nos homens, inconteste sinal de natureza má, de ignorância ou, pelo menos, de leviandade. 

DE ONDE SE SEGUE QUE É NECESSÁRIO PESAR TUDO QUANTO ELES DIZEM, PASSANDO-O PELO CRIVO DA LÓGICA E DO BOM SENSO. Eis uma recomendação feita incessantemente pelos bons Espíritos. Dizem eles: Deus não vos deu o raciocínio sem propósito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo. “Os maus Espíritos temem o exame. Dizem eles: Aceitai nossas palavras e não as julgueis”. Se tivessem a consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz.

O HÁBITO DE PERSCRUTAR AS MENORES PALAVRAS DOS ESPÍRITOS, DE LHES PESAR O VALOR – DO PONTO DE VISTA DO CONTEÚDO E NÃO DA FORMA GRAMATICAL, com que pouco se preocupam eles – naturalmente afasta os Espíritos mal intencionados, que não viriam então inutilmente perder o tempo, de vez que rejeitamos tudo quanto é mau ou tem origem suspeita. Mas quando aceitamos cegamente tudo quanto dizem, quando, por assim dizer, nos ajoelhamos ante sua pretensa sabedoria, eles fazem o que fariam os homens, eles abusam de nós.

Se o médium for senhor de si, se não se deixar dominar por um entusiasmo irrefletido, poderá fazer o que aconselhamos. Mas acontece freqüentemente que o Espírito o subjuga a ponto de o fascinar, levando-o a considerar admiráveis as coisas mais ridículas; então ele se entrega cada vez mais a essa perniciosa confiança e, estribado em suas boas intenções e em seus bons sentimentos, julga isto suficiente para afastar os maus Espíritos. Não, isso não basta: esses Espíritos ficam satisfeitos por fazê-lo cair na cilada, para o que aproveitam sua fraqueza e sua credulidade. Que fazer, então? Expor tudo a uma terceira pessoa desinteressada, para que esta, julgando com calma e sem prevenção, possa ver um argueiro onde o médium não via uma trave.

Allan Kardec

Revista Espírita  ANO 2  -  FEVEREIRO 1859 - Nº. 2 de Kardec

Wilson Moreno