sexta-feira, 4 de agosto de 2017

PROCEDIMENTOS PARA AFASTAR OS MAUS ESPÍRITOS.



PROCEDIMENTOS PARA AFASTAR OS MAUS ESPÍRITOS.

Revista Espirita ANO 2 – SETEMBRO 1859 – Nº. 9 de Kardec

Os bons Espíritos não obsidiam jamais; os maus se impõem em todos os instantes; é por isso que todo médium deve desconfiar da necessidade irresistível de escrever que se apodera dele nos momentos mais inoportunos.  Esse não é nunca o fato de um bom Espírito, e não deve a isso ceder.

Os Espíritos superiores têm, como dissemos em muitas circunstâncias, uma LINGUAGEM SEMPRE DIGNA, NOBRE, ELEVADA, SEM MISTURA COM QUALQUER TRIVIALIDADE; eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, não se vangloriam nunca, não exibem jamais seu saber nem sua posição entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou vulgares tem sempre algum reflexo das paixões humanas; TODA A EXPRESSÃO QUE EXALA A BAIXEZA, A SUFICIÊNCIA, A ARROGÂNCIA, A FANFARRICE, A ACRIMÔNIA, É UM INDÍCIO CARACTERÍSTICO DE INFERIORIDADE, OU DE FRAUDE SE O ESPÍRITO SE APRESENTA SOB UM NOME RESPEITÁVEL E VENERADO.

Os bons Espíritos não dizem senão o que sabem; eles se calam ou confessam sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se importarem com a verdade. TODA HERESIA CIENTÍFICA NOTÓRIA, TODO PRINCÍPIO QUE CHOCA COM A RAZÃO E O BOM SENSO, MOSTRA A FRAUDE SE O ESPÍRITO SE DÁ POR UM ESPÍRITO ESCLARECIDO.
Os bons Espíritos nunca mandam; não se impõem: eles aconselham, e, se não são escutados, se retiram. Os maus são imperiosos: dão ordem, e querem ser obedecidos.  Todo Espírito que se impõe trai sua origem.

Os bons Espíritos não lisonjeiam; eles aprovam quando se faz bem, mas sempre com reserva; os maus dão elogios exagerados, estimulam o orgulho e vaidade pregando a humildade, E PROCURAM EXALTAR A IMPORTÂNCIA PESSOAL DAQUELES QUE QUEREM CAPTAR.

Os  Espíritos superiores estão acima das puerilidades das formas, em todas as coisas; para eles o pensamento é tudo, a forma nada é. Só os Espíritos vulgares podem ligar importância a certos detalhes incompatíveis com ideias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é um sinal de inferioridade e fraude da parte de um Espírito que toma o nome imponente.

É necessário desconfiar de NOMES BIZARROS E RIDÍCULOS QUE TOMAM CERTOS ESPÍRITOS QUE QUEREM SE IMPOR À CREDULIDADE; SERIA SOBERANAMENTE ABSURDO TOMAR ESSES NOMES A SÉRIO.

É necessário igualmente desconfiar daqueles que se apresentam, muito facilmente, SOB NOMES EXTREMAMENTE VENERADOS, E NÃO ACEITAR SUAS PALAVRAS SENÃO COM A MAIOR RESERVA; É AÍ SOBRETUDO QUE UM CONTROLE SEVERO É INDISPENSÁVEL, porque, frequentemente, trata-se de uma máscara que tomam para fazer crer em pretensas relações íntimas com os Espíritos fora de linha. Por esse meio eles agradam a vaidade, e dele se aproveitam para induzir, frequentemente, a diligências lamentáveis ou ridículas.

Os bons Espíritos são muitos escrupulosos sobre os meios que possam aconselhar; eles não têm jamais, em todos os casos, senão um objetivo sério e eminentemente útil. Deve-se, pois, olhar com suspeitas todos aqueles que não tenham esse caráter e maduramente refletir antes de executá-los.

 Os bons Espíritos não prescrevem senão o bem. Toda máxima, todo conselho que não esteja estritamente conforme a pura caridade evangélica não pode ser a obra de bons Espíritos; ocorre o mesmo com toda insinuação malévola tendente a excitar ou entreter sentimentos de ódio, de ciúme ou de egoísmo.

OS BONS ESPÍRITOS NÃO ACONSELHAM JAMAIS SENÃO COISAS PERFEITAMENTE RACIONAIS; toda recomendação que se afastasse da direita linha do bom senso e das leis imutáveis da Natureza acusa um Espírito limitado e ainda sob a influência de preconceitos terrestres, e, por conseguinte, pouco digno de confiança.

Allan Kardec

Revista Espirita ANO 2 – SETEMBRO 1859 – Nº. 9 de Kardec

Wilson Moreno



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