PROCEDIMENTOS PARA AFASTAR OS
MAUS ESPÍRITOS.
Revista Espirita ANO 2 –
SETEMBRO 1859 – Nº. 9 de Kardec
Os
bons Espíritos não obsidiam jamais; os maus se impõem em todos os instantes; é
por isso que todo médium deve desconfiar da necessidade irresistível de
escrever que se apodera dele nos momentos mais inoportunos. Esse não é
nunca o fato de um bom Espírito, e não deve a isso ceder.
Os
Espíritos superiores têm, como dissemos em muitas circunstâncias, uma LINGUAGEM
SEMPRE DIGNA, NOBRE, ELEVADA, SEM MISTURA COM QUALQUER TRIVIALIDADE; eles dizem
tudo com simplicidade e modéstia, não se vangloriam nunca, não exibem jamais
seu saber nem sua posição entre os outros. A dos Espíritos inferiores ou
vulgares tem sempre algum reflexo das paixões humanas; TODA A EXPRESSÃO QUE
EXALA A BAIXEZA, A SUFICIÊNCIA, A ARROGÂNCIA, A FANFARRICE, A ACRIMÔNIA, É UM
INDÍCIO CARACTERÍSTICO DE INFERIORIDADE, OU DE FRAUDE SE O ESPÍRITO SE
APRESENTA SOB UM NOME RESPEITÁVEL E VENERADO.
Os
bons Espíritos não dizem senão o que sabem; eles se calam ou confessam sua
ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se
importarem com a verdade. TODA HERESIA CIENTÍFICA NOTÓRIA, TODO PRINCÍPIO QUE
CHOCA COM A RAZÃO E O BOM SENSO, MOSTRA A FRAUDE SE O ESPÍRITO SE DÁ POR UM
ESPÍRITO ESCLARECIDO.
Os
bons Espíritos nunca mandam; não se impõem: eles aconselham, e, se não são
escutados, se retiram. Os maus são imperiosos: dão ordem, e querem ser
obedecidos. Todo Espírito que se impõe trai sua origem.
Os
bons Espíritos não lisonjeiam; eles aprovam quando se faz bem, mas sempre com
reserva; os maus dão elogios exagerados, estimulam o orgulho e vaidade pregando
a humildade, E PROCURAM EXALTAR A IMPORTÂNCIA PESSOAL DAQUELES QUE
QUEREM CAPTAR.
Os
Espíritos superiores estão acima das puerilidades das formas, em todas as
coisas; para eles o pensamento é tudo, a forma nada é. Só os
Espíritos vulgares podem ligar importância a certos detalhes incompatíveis com
ideias verdadeiramente elevadas. Toda prescrição meticulosa é um sinal
de inferioridade e fraude da parte de um Espírito que toma o nome imponente.
É
necessário desconfiar de NOMES BIZARROS E RIDÍCULOS QUE TOMAM CERTOS ESPÍRITOS
QUE QUEREM SE IMPOR À CREDULIDADE; SERIA SOBERANAMENTE ABSURDO TOMAR ESSES
NOMES A SÉRIO.
É
necessário igualmente desconfiar daqueles que se apresentam, muito facilmente, SOB
NOMES EXTREMAMENTE VENERADOS, E NÃO ACEITAR SUAS PALAVRAS SENÃO COM A MAIOR
RESERVA; É AÍ SOBRETUDO QUE UM CONTROLE SEVERO É INDISPENSÁVEL, porque,
frequentemente, trata-se de uma máscara que tomam para fazer crer em pretensas
relações íntimas com os Espíritos fora de linha. Por esse meio eles agradam a
vaidade, e dele se aproveitam para induzir, frequentemente, a diligências
lamentáveis ou ridículas.
Os
bons Espíritos são muitos escrupulosos sobre os meios que possam aconselhar;
eles não têm jamais, em todos os casos, senão um objetivo sério e eminentemente
útil. Deve-se, pois, olhar com suspeitas todos aqueles que não tenham esse
caráter e maduramente refletir antes de executá-los.
Os bons Espíritos não prescrevem senão o bem.
Toda máxima, todo conselho que não esteja estritamente conforme a pura
caridade evangélica não pode ser a obra de bons Espíritos; ocorre o mesmo
com toda insinuação malévola tendente a excitar ou entreter sentimentos de
ódio, de ciúme ou de egoísmo.
OS
BONS ESPÍRITOS NÃO ACONSELHAM JAMAIS SENÃO COISAS PERFEITAMENTE RACIONAIS; toda
recomendação que se afastasse da direita linha do bom senso e das leis
imutáveis da Natureza acusa um Espírito limitado e ainda sob a influência
de preconceitos terrestres, e, por conseguinte, pouco digno de confiança.
Allan
Kardec
Revista Espirita ANO 2 –
SETEMBRO 1859 – Nº. 9 de Kardec
Wilson Moreno
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