As Orientações de Leon Denis sobre as Mistificações
A
mediunidade intuitiva, dizíamos nós, não deve ser desdenhada, porque com
o exercício se desenvolve e torna-se bem definida. Entretanto, é
preciso - como a respeito de todas as produções mediúnicas - JAMAIS
DEIXAR DE SUBMETER OS SEUS RESULTADOS À INSPEÇÃO DE NOSSO CRITÉRIO E
RACIOCÍNIO.
Não é a credulidade menor mal que o cepticismo
intransigente. O discernimento e uma certa educação cientifica são
necessários para determinar a verdadeira origem e o valor das
comunicações, para fazer a distinção entre as diferentes causas que
intervêm no fenômeno.
A autenticidade das mensagens é, às vezes,
difícil de estabelecer-se. O ABUSO DE NOMES CÉLEBRES, DE PERSONALIDADES
VENERADAS ENTRE OS HOMENS É FREQÜENTEMENTE PRATICADO e torna-se um
elemento de dúvida e de confusão para os observadores. Certas produções,
de deplorável banalidade, num estilo incorretíssimo, subscritas por
nomes ilustres, despertam a desconfiança e levam muitas pessoas a
considerar o Espiritismo uma grosseira mistificação. Para o analista
calmo e imparcial esses abusos demonstram simplesmente uma coisa: é que o
autor do ditado nem sempre é o que diz ser. NO MUNDO INVISÍVEL, COMO
ENTRE NÓS, HÁ ESPÍRITOS EMBUSTEIROS, SEMPRE PRONTOS A APROPRIAR-SE DE
TÍTULOS OU MERECIMENTOS, A QUE NENHUM DIREITO POSSUEM, COM O FIM DE SE
IMPOREM AO VULGO.
É, PORTANTO, NECESSÁRIO DAR MAIS ATENÇÃO AO
PRÓPRIO CONTEÚDO DAS COMUNICAÇÕES QUE AO NOME QUE AS SUBSCREVE. PELA
OBRA SE JULGA O OPERÁRIO. Os Espíritos superiores, para se fazerem
reconhecer, em lugar dos nomes que usavam na Terra, adotam de bom grado
termos alegóricos.
Em regra, os nomes e títulos não têm no outro
mundo a importância que lhes damos. Os julgamentos do Espaço não são os
da Terra, e muitos nomes que fulguram na história humana se eclipsam na
outra vida. As obras de dedicação, amor e caridade constituem lá
valiosos e duradouros títulos. Os que as edificaram nem sempre hão
deixado seus nomes na memória dos homens. Passaram obscuros, quase
desconhecidos neste mundo, mas a lei divina consagrou sua existência, e
sua alma refulge com um brilho que muitos Espíritos, reputados grandes
entre nós, estão longe de possuir.
HÁ NAS REGIÕES INFERIORES DO
ESPAÇO, COMO NA TERRA, ESPÍRITOS SOFÍSTICOS QUE TRATAM DE IMPINGIR SUAS
CONCEPÇÕES SOB A CAPA DE NOMES POMPOSOS. NELES, O ERRO SE DISSIMULA SOB
AS FORMAS AUSTERAS OU SEDUTORAS, QUE ILUDEM, E SÃO POR ISSO AINDA MAIS
PERIGOSAS. É PRINCIPALMENTE EM TAIS CASOS QUE SE DEVE EXERCER O NOSSO
DISCERNIMENTO. NÃO DEVEMOS ADOTAR AS OPINIÕES DE UM ESPÍRITO,
SIMPLESMENTE PORQUE SE TRATA DE UM ESPÍRITO, MAS UNICAMENTE SE NOS
PARECEM JUSTAS E BOAS.
Devemos discutir e averiguar as produções
do Além com a mesma liberdade de apreciação com que julgamos as dos
autores terrestres. O ESPÍRITO NÃO É MAIS QUE UM HOMEM LIBERTADO DE SEU
CORPO CARNAL; COM A MORTE NÃO ADQUIRE A INFALIBILIDADE. O espaço que nos
envolve é povoado de uma multidão invisível pouco evoluída. Acima dela,
porém, há elevadas e nobres Inteligências, cujos ensinos nos devem ser
preciosos. Podemos reconhecê-las pela sabedoria que as inspira, pela
clareza e amplitude de suas apreciações.
Leon Denis
No Invisível.
Wilson Moreno
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