Leon Denis fala sobre o
Pensamento e a Lei de afinidade
Pela orientação e persistência de
nossos pensamentos, podemos modificar as influências que nos rodeiam e entrar
em relação com inteligências e forças similares. Esse fato não é unicamente
exato a respeito dos sensitivos e dos médiuns; também se dá com todo ser
pensante. As influencias do Além podem irradiar sobre nós, sem que haja
comunicação consciente com os seres que o povoam. Não é necessário acreditar na
existência do mundo dos Espíritos e querer conhecê-lo, para lhe experimentar os
efeitos.
A lei das atrações é inelutável;
tudo no homem lhe está submetido. Por isso a censura que dirigem aos espíritas,
acusando-os de atrair exclusivamente, em virtude de suas práticas, as forças
maléficas do Universo, é insubsistente diante dos fatos.
Depende do homem receber as mais
diversas inspirações, desde as sublimes às mais grosseiras. O nosso estado
mental é como uma brecha por onde amigos ou inimigos podem penetrar em nós. Os
sensuais atraem Espíritos sensuais que se associam a seus atos e desejos e lhes
aumentam a intensidade; os criminosos atraem violentos que os impelem cada vez
mais longe na prática do mal. O inventor é auxiliado por investigadores do
Além. O orador tem a percepção de imagens, que fixará em arroubos de eloqüência
próprios a emocionar as multidões. O pensador, o músico, o poeta receberão as
vibrações das esferas em que o verdadeiro e o belo constituem um objeto de
culto; almas superiores e poderosas lhes transfundirão as opulências da
inspiração, o sopro divino que acaricia as frontes sonhadoras e produz as
maravilhas do gênio, do talento.
Assim, de um ao outro plano,
responde o Espírito às solicitações do Espírito. Todos os planos espirituais se
ligam entre si. Os instintos de ódio, de depravação e crueldade atraem os
Espíritos do abismo. A frivolidade atrai os Espíritos levianos; mas a prece do
homem de bem, a súplica por ele dirigida aos Espíritos celestes se eleva e
repercute nota a nota, na gama ascensional, até às mais elevadas esferas, ao
mesmo tempo em que das regiões profundas do Infinito descem sobre ele as ondas
vibratórias, os eflúvios do pensamento eterno, que o penetram de uma corrente
de vida e de energia. O Universo inteiro vibra sob o pensamento de Deus.
Pois bem: exatamente como os sons
e a luz, os sentimentos e os pensamentos se exprimem por vibrações, que se
propagam pelo espaço com intensidades diferentes.
Os pensamentos de cólera e de
ódio, as eternas súplicas de amor, o lamento do desgraçado, os gritos de
paixão, os impulsos de entusiasmo, vão, pela imensidade a fora, referindo a
todos a história de cada um e a história da Humanidade. As vibrações de
cérebros pensantes, de homens ou de Espíritos, se cruzam e entrecruzam ao
infinito, sem jamais se confundirem. Em torno de nós, por toda à parte, na
atmosfera, rolam e passam, como torrentes incessantes, fluxos de idéias, ondas
de pensamentos, que impressionam os sensitivos e são muitas vezes causa de
perturbação e erro nas manifestações.
Dizemos: homens ou Espíritos. Com
efeito, o que o cérebro humano emite sob forma de vibrações, o cérebro fluídico
do Espírito projeta sob forma de ondas mais extensas, de radiações que vibram
com mais largo e poderoso ritmo, por isso que as moléculas fluídicas, mais flexíveis,
mais maleáveis que os átomos do cérebro físico, obedecem melhor à ação da
vontade.
Leon Denis
Da obra No Invisível.
Wilson Moreno
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