Os Espíritos pertencem a
diferentes classes, não sendo iguais em poder nem inteligência, saber ou
moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos Superiores que se distinguem
pela perfeição, pelos conhecimentos e pela proximidade de Deus, a pureza dos
sentimentos e o amor do bem: são os anjos ou Espíritos puros. As demais classes
se distanciam mais e mais dessa perfeição. Os das classes inferiores são
inclinados às nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho etc. e se
comprazem no mal. Nesse número há os que não são nem muito bons, nem muito
maus; antes perturbadores e intrigantes do que maus; a malícia e a
inconseqüência parecem ser as suas características: são os Espíritos estouvados
ou levianos.
Distinguir os bons e os maus
Espíritos é extremamente fácil. A linguagem dos
Espíritos superiores é constantemente digna, nobre, cheia da mais alta
moralidade, livre de qualquer paixão inferior, seus conselhos revelam a mais
pura sabedoria e têm sempre por alvo o nosso progresso e o bem da Humanidade.
A dos Espíritos inferiores, é inconseqüente, quase sempre banal e mesmo
grosseira; se dizem às vezes coisas boas e verdadeiras, dizem com mais
freqüência falsidades e absurdos, por malícia ou ignorância; zombam da
credulidade e divertem-se à custa dos que os interrogam, lisonjeando-lhes a
vaidade e embalando-lhes os desejos com falsas esperanças. Em resumo, as
comunicações sérias, na perfeita acepção do termo, não se verificam senão nos
centros sérios, cujos membros estão unidos por uma íntima comunhão de
pensamentos dirigidos para o bem.
A moral dos Espíritos superiores
se resume, como a do Cristo, nessa máxima evangélica: "Fazer aos outros o
que desejamos que os outros nos façam", ou seja, fazer o bem e não o mal.
O homem encontra nesse princípio a regra universal de conduta, mesmo para as
menores ações.
Allan Kardec
O Livro dos Espíritos.
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