ESTUDANDO A OBSESSÃO NAS OBRAS DE
KARDEC.
Vejamos as explicações de Kardec.
Os maus Espíritos só estão onde
podem satisfazer a sua perversidade. Para afastá-los, não basta pedir, nem
mesmo ordenar que se retirem: é necessário eliminar em nós aquilo que os atrai.
OS ESPÍRITOS MAUS DESCOBREM AS CHAGAS DA ALMA, COMO AS MOSCAS DESCOBREM AS DO
CORPO. ASSIM, POIS, COMO LIMPAIS O CORPO PARA EVITAR AS BICHEIRAS, LIMPAI
TAMBÉM A ALMA DAS SUAS IMPUREZAS, PARA EVITAR AS OBSESSÕES. Como vivemos num
mundo em que os maus Espíritos pululam, as boas qualidades do coração nem
sempre nos livram das suas tentativas, mas nos dão a força necessária para
resistir-lhes.
Todo mau pensamento pode ter duas
origens: a nossa própria imperfeição espiritual, ou uma funesta influência que
age sobre ela. Neste último caso, temos a indicação de uma fraqueza que nos
expõe a essas influências, e portanto de que a nossa alma é imperfeita. Dessa
maneira, aquele que falir não poderá desculpar-se com a simples influência de
um Espírito estranho, desde que esse Espírito não poderia levá-lo ao mal, se o
encontrasse inacessível à sedução.
QUANDO TEMOS UM MAU PENSAMENTO,
PODEMOS SUPOR QUE UM ESPÍRITO MALFAZEJO NOS SUGERE O MAL, CABENDO-NOS INTEIRA
LIBERDADE DE CEDER OU RESISTIR, COMO SE ESTIVÉSSEMOS DIANTE DA SOLICITAÇÃO DE
UMA PESSOA VIVA. Devemos ao mesmo tempo imaginar o nosso Anjo Guardião ou
Espírito Protetor, que por sua vez combate em nós essa influência má, esperando
com ansiedade a decisão que vamos tomar. Nossa hesitação em atender ao mal é
devida à voz do Bom Espírito, que se faz ouvir pela nossa consciência.
Reconhece-se um mau pensamento
quando ele se distancia da caridade, que é a base de toda moral verdadeira;
quando vem carregado de orgulho, vaidade e egoísmo; quando a sua realização
pode causar algum prejuízo a outra pessoa; quando, enfim, nos propõe fazer aos
outros o que não quereríamos que os outros nos fizessem.
Nenhum objeto, medalha ou talismã
tem a propriedade de atrair ou de repelir os Espíritos. As coisas materiais não
tem nenhum poder sobre eles. Jamais um bom Espírito aconselha essas práticas
absurdas. A virtude dos talismãs nunca existiu, a não ser na imaginação das
pessoas crédulas. (O Livro dos Médiuns, cap. XXV.)
A cura das obsessões graves
requer muita paciência, perseverança e devotamento. Exige também tato e
habilidade, para a condução ao bem de Espíritos quase sempre muito perversos,
endurecidos e astuciosos, pois que os há rebeldes até o último grau. Na maioria
dos casos, devemos guiar-nos pelas circunstâncias. Mas, seja qual for a
natureza do Espírito, o certo é que nada se obtém pelo constrangimento ou pela
ameaça, pois toda a influência depende do ascendente moral. OUTRA VERDADE,
IGUALMENTE VERIFICADA PELA EXPERIÊNCIA, E QUE A LÓGICA COMPROVA, É A COMPLETA
INEFICÁCIA DE EXORCISMOS, FÓRMULAS, PALAVRAS SACRAMENTAIS, AMULETOS, TALISMÃS,
PRÁTICAS EXTERIORES OU QUAISQUER SÍMBOLOS MATERIAIS.
A obsessão demasiado prolongada
pode ocasionar desordens patológicas, exigindo por vezes um tratamento
simultâneo ou consecutivo, seja magnético ou médico, para o restabelecimento do
organismo. A causa tendo sido afastada, ainda resta combater os efeitos. (Ver O
Livro dos Médiuns, cap. XXIII, sobre a obsessão; e a Revista Espírita, número
de fevereiro de 1864 e número abril de 1865: exemplos de curas de obsessão).
Allan Kardec
O Evangelho seg Espiritismo.
Wilson Moreno
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