"E que querem certos
Espíritos da erraticidade, fomentando a exaltação do amor-próprio e do
orgulho entre as mediocridades encarnadas, senão entravar o progresso?
Sem o querer, são os instrumentos da prova que porá em evidência os bons
e os maus servos de Deus. A este, tal Espírito promete o segredo da
transmutação dos metais, como a um médium de R...; a outro, como a M...,
um Espírito revela pretensos acontecimentos que vão realizar-se, fixa as épocas, precisa as datas, nomeia os atores que devem concorrer ao drama anunciado;
a um terceiro, um Espírito mistificador ensina a incubação dos
diamantes; finalmente, a outros são indicados tesouros ocultos, prometem
fortuna fácil, descobertas maravilhosas, glória, honrarias, etc.; numa
palavra, todas as ambições e todas as cobiças dos homens são habilmente
exploradas por Espíritos perversos. Eis por que, de todos os lados,
vedes esses pobres obsidiados, preparando-se para subir ao Capitólio,
com uma gravidade e uma importância que entristecem o observador
imparcial. Qual o resultado de todas essas promessas falaciosas? As
decepções, os dissabores, o ridículo, por vezes a ruína, justa punição
do orgulho presunçoso, que se julga
chamado a fazer melhor que todo o mundo, desdenha os conselhos e
desconhece os verdadeiros princípios do Espiritismo.
Tanto é a modéstia o
apanágio dos médiuns escolhidos pelos Espíritos bons, quanto o orgulho, o
amor-próprio e, digamos, a mediocridade são os distintivos dos médiuns
inspirados pelos Espíritos inferiores; tanto os primeiros não se
preocupam com as comunicações que recebem, quando estas se afastam da
verdade, quanto os segundos mantêm contra todos a superioridade do que lhes é ditado, ainda que absurdos.
Espíritas sinceros, não vos amedronteis com esse caos momentâneo.
Não está longe o tempo em que a verdade, desembaraçada dos véus com que
a querem cobrir, sairá mais radiosa que nunca, e em que a sua
claridade, inundando o mundo, fará entrar na sombra seus obscuros
detratores, postos em evidência durante alguns instantes para a sua
própria confusão.
Assim, pois, meus amigos, tereis de vos defender não só contra os ataques e calúnias dos vossos adversários vivos, mas, também, contra as manobras ainda mais perigosas dos adversários da erraticidade. Fortalecei-vos em estudos sadios e, acima de tudo, pela prática do Amor e da Caridade, e retemperai-vos na Prece. Deus
sempre esclarece os que se consagram à propagação da verdade, quando
agem de boa-fé e estão desprovidos de toda ambição pessoal.
Quanto
ao mais, Espíritas, que vos importam os médiuns que, apesar de tudo,
não passam de instrumentos? O que deveis considerar é o valor e o
alcance dos ensinamentos que vos são dados; é a pureza da moral que vos é ensinada; é a clareza e a precisão das verdades que vos são reveladas;
é, enfim, ver se as instruções que vos dão correspondem às legítimas
aspirações das Almas de Escol e se são conformes às leis gerais e
imutáveis da lógica e da harmonia universais.
Jamais julgueis uma comunicação em razão do nome pela qual é assinada, mas apenas por seu valor intrínseco.
É
urgente que vos resguardeis contra todas as publicações de origem
suspeita, que pareçam ou possam parecer contrárias a todas as que não
tiverem um estilo franco e claro, e tende por certo que algumas
são elaboradas nos campos inimigos dos mundos visível ou invisível,
visando a lançar entre vós os pomos de discórdia. Cabe a vós não vos deixar apanhar; tendes todos os elementos necessários para as apreciar.
O número dos médiuns é
hoje incalculável e é deplorável ver que alguns se julgam os únicos
chamados a distribuir a verdade ao mundo e se extasiam ante banalidades
que consideram monumentos. Pobres iludidos, que se abaixam passando sob
arcos triunfais, como se a verdade devesse esperar sua vinda para ser
anunciada! Nem o forte, nem o fraco, nem o instruído, nem o ignorante
tiveram esse privilégio exclusivo; foi
por mil vozes desconhecidas que a verdade se espalhou, e é justamente
por essa unanimidade que ela se fez reconhecida. Contai essas vozes, contai os que as escutam; contai, sobretudo, as que tocam o coração, se quiserdes saber de que lado está a verdade."
Erasto, Revista Espírita ano 1863.
Grifos: Site Firmeza e Brandura.
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