sábado, 29 de abril de 2017

Mais um alerta imporatnte de Erasto

"E que querem certos Espíritos da erraticidade, fomentando a exaltação do amor-próprio e do orgulho entre as mediocridades encarnadas, senão entravar o progresso? Sem o querer, são os instrumentos da prova que porá em evidência os bons e os maus servos de Deus. A este, tal Espírito promete o segredo da transmutação dos metais, como a um médium de R...; a outro, como a M..., um Espírito revela pretensos acontecimentos que vão realizar-se, fixa as épocas, precisa as datas, nomeia os atores que devem concorrer ao drama anunciado; a um terceiro, um Espírito mistificador ensina a incubação dos diamantes; finalmente, a outros são indicados tesouros ocultos, prometem fortuna fácil, descobertas maravilhosas, glória, honrarias, etc.; numa palavra, todas as ambições e todas as cobiças dos homens são habilmente exploradas por Espíritos perversos. Eis por que, de todos os lados, vedes esses pobres obsidiados, preparando-se para subir ao Capitólio, com uma gravidade e uma importância que entristecem o observador imparcial. Qual o resultado de todas essas promessas falaciosas? As decepções, os dissabores, o ridículo, por vezes a ruína, justa punição do orgulho presunçoso, que se julga chamado a fazer melhor que todo o mundo, desdenha os conselhos e desconhece os verdadeiros princípios do Espiritismo.

Tanto é a modéstia o apanágio dos médiuns escolhidos pelos Espíritos bons, quanto o orgulho, o amor-próprio e, digamos, a mediocridade são os distintivos dos médiuns inspirados pelos Espíritos inferiores; tanto os primeiros não se preocupam com as comunicações que recebem, quando estas se afastam da verdade, quanto os segundos mantêm contra todos a superioridade do que lhes é ditado, ainda que absurdos.

Espíritas sinceros, não vos amedronteis com esse caos momentâneo. Não está longe o tempo em que a verdade, desembaraçada dos véus com que a querem cobrir, sairá mais radiosa que nunca, e em que a sua claridade, inundando o mundo, fará entrar na sombra seus obscuros detratores, postos em evidência durante alguns instantes para a sua própria confusão.

Assim, pois, meus amigos, tereis de vos defender não só contra os ataques e calúnias dos vossos adversários vivos, mas, também, contra as manobras ainda mais perigosas dos adversários da erraticidade. Fortalecei-vos em estudos sadios e, acima de tudo, pela prática do Amor e da Caridade, e retemperai-vos na Prece. Deus sempre esclarece os que se consagram à propagação da verdade, quando agem de boa-fé e estão desprovidos de toda ambição pessoal.

Quanto ao mais, Espíritas, que vos importam os médiuns que, apesar de tudo, não passam de instrumentos? O que deveis considerar é o valor e o alcance dos ensinamentos que vos são dados; é a pureza da moral que vos é ensinada; é a clareza e a precisão das verdades que vos são reveladas; é, enfim, ver se as instruções que vos dão correspondem às legítimas aspirações das Almas de Escol e se são conformes às leis gerais e imutáveis da lógica e da harmonia universais.

Jamais julgueis uma comunicação em razão do nome pela qual é assinada, mas apenas por seu valor intrínseco.

É urgente que vos resguardeis contra todas as publicações de origem suspeita, que pareçam ou possam parecer contrárias a todas as que não tiverem um estilo franco e claro, e tende por certo que algumas são elaboradas nos campos inimigos dos mundos visível ou invisível, visando a lançar entre vós os pomos de discórdia. Cabe a vós não vos deixar apanhar; tendes todos os elementos necessários para as apreciar.

O número dos médiuns é hoje incalculável e é deplorável ver que alguns se julgam os únicos chamados a distribuir a verdade ao mundo e se extasiam ante banalidades que consideram monumentos. Pobres iludidos, que se abaixam passando sob arcos triunfais, como se a verdade devesse esperar sua vinda para ser anunciada! Nem o forte, nem o fraco, nem o instruído, nem o ignorante tiveram esse privilégio exclusivo; foi por mil vozes desconhecidas que a verdade se espalhou, e é justamente por essa unanimidade que ela se fez reconhecida. Contai essas vozes, contai os que as escutam; contai, sobretudo, as que tocam o coração, se quiserdes saber de que lado está a verdade."

Erasto, Revista Espírita ano 1863.

Grifos: Site Firmeza e Brandura.

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