sábado, 29 de abril de 2017

Estudando a Obsessão nas obras de Kardec

Estudando a Obsessão nas obras de Kardec

A cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança e devotamento. Exige também tato e habilidade, para a condução ao bem de Espíritos quase sempre muito perversos, endurecidos e astuciosos, pois que os há rebeldes até o último grau. Na maioria dos casos, devemos guiar-nos pelas circunstâncias. Mas, seja qual for a natureza do Espírito, o certo é que nada se obtém pelo constrangimento ou pela ameaça, pois toda a influência depende do ascendente moral. OUTRA VERDADE, IGUALMENTE VERIFICADA PELA EXPERIÊNCIA, E QUE A LÓGICA COMPROVA, É A COMPLETA INEFICÁCIA DE EXORCISMOS, FÓRMULAS, PALAVRAS SACRAMENTAIS, AMULETOS, TALISMÃS, PRÁTICAS EXTERIORES OU QUAISQUER SÍMBOLOS MATERIAIS.

A obsessão demasiado prolongada pode ocasionar desordens patológicas, exigindo por vezes um tratamento simultâneo ou consecutivo, seja magnético ou médico, para o restabelecimento do organismo. A causa tendo sido afastada, ainda resta combater os efeitos. (Ver O Livro dos Médiuns, cap. XXIII, sobre a obsessão; e a Revista Espírita, número de fevereiro de 1864 e número abril de 1865: exemplos de curas de obsessão).

Nossos maus instintos são decorrentes da imperfeição do nosso próprio Espírito, e não da nossa organização física. Se assim não fosse, o homem estaria isento de toda e qualquer responsabilidade. De nós depende a nossa melhoria, pois todo homem que goza da plenitude de suas faculdades tem a liberdade de fazer ou não fazer qualquer coisa. Para fazer o bem, só lhe falta a vontade.

Todo mau pensamento pode ter duas origens: a nossa própria imperfeição espiritual, ou uma funesta influência que age sobre ela. Neste último caso, temos a indicação de uma fraqueza que nos expõe a essas influências, e portanto de que a nossa alma é imperfeita. DESSA MANEIRA, AQUELE QUE FALIR NÃO PODERÁ DESCULPAR-SE COM A SIMPLES INFLUÊNCIA DE UM ESPÍRITO ESTRANHO, DESDE QUE ESSE ESPÍRITO NÃO PODERIA LEVÁ-LO AO MAL, SE O ENCONTRASSE INACESSÍVEL À SEDUÇÃO.

Quando temos um mau pensamento, podemos supor que um espírito malfazejo nos sugere o mal, cabendo-nos inteira liberdade de ceder ou resistir, como se estivéssemos diante da solicitação de uma pessoa viva. Devemos ao mesmo tempo imaginar o nosso Anjo Guardião ou Espírito Protetor, que por sua vez combate em nós essa influência má, esperando com ansiedade a decisão que vamos tomar. Nossa hesitação em atender ao mal é devida à voz do Bom Espírito, que se faz ouvir pela nossa consciência.
Reconhece-se um mau pensamento quando ele se distancia da caridade, que é a base de toda moral verdadeira; quando vem carregado de orgulho, vaidade e egoísmo; quando a sua realização pode causar algum prejuízo a outra pessoa; quando, enfim, nos propõe fazer aos outros o que não quereríamos que os outros nos fizessem.

Os maus Espíritos só estão onde podem satisfazer a sua perversidade. Para afastá-los, não basta pedir, nem mesmo ordenar que se retirem: é necessário eliminar em nós aquilo que os atrai. OS ESPÍRITOS MAUS DESCOBREM AS CHAGAS DA ALMA, COMO AS MOSCAS DESCOBREM AS DO CORPO. ASSIM, POIS, COMO LIMPAIS O CORPO PARA EVITAR AS BICHEIRAS, LIMPAI TAMBÉM A ALMA DAS SUAS IMPUREZAS, PARA EVITAR AS OBSESSÕES. Como vivemos num mundo em que os maus Espíritos pululam, as boas qualidades do coração nem sempre nos livram das suas tentativas, mas nos dão a força necessária para resistir-lhes.

Allan Kardec
O Evangelho seg Espiritismo.

Wilson Moreno

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