A CARNE É FRACA.
Revista Espirita ANO 12
- MARÇO 1869 - Nº. 3 de Kardec
Provar que o homem é responsável
por todos os seus atos é provar a sua liberdade de ação, e provar a sua
liberdade, é levantar a sua dignidade. A perspectiva da responsabilidade fora
da lei humana é o mais poderoso elemento moralizador: é o objetivo ao qual o
Espiritismo conduz pela força das coisas.
Segundo as observações
fisiológicas que precedem, pode-se, pois, admitir que o temperamento é, pelo
menos em parte, determinado pela natureza do Espírito, que é causa e não
efeito. Dizemos em parte, porque há casos em que o físico influi evidentemente
sobre o moral: é quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma
causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o
clima, os vícios hereditários de constituição, uma doença passageira, etc. O
moral do Espírito pode então ser afetado em suas manifestações pelo estado
patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada.
DESCULPAR-SE DE SEUS DEFEITOS
SOBRE A FRAQUEZA DA CARNE NÃO É, POIS, SENÃO UMA FUGA FALSA PARA ESCAPAR À
RESPONSABILIDADE. A CARNE É FRACA PORQUE O ESPÍRITO É FRACO, É EM QUE SE TORNA
A QUESTÃO, E DEIXA AO ESPÍRITO A RESPONSABILIDADE DE TODOS OS SEUS ATOS.
A CARNE, QUE NÃO TEM NEM
PENSAMENTO NEM VONTADE, NÃO PREVALECE JAMAIS SOBRE O ESPÍRITO, QUE É O SER
PENSANTE E QUE QUER, É O ESPÍRITO QUE DÁ À CARNE AS QUALIDADES CORRESPONDENTES
AOS SEUS INSTINTOS, COMO O ARTISTA IMPRIME À SUA OBRA MATERIAL A MARCA DE SEU
GÊNIO.
O Espírito liberto dos instintos
da bestialidade, forma um corpo que não é mais um tirano para assuas aspirações
na direção da espiritualidade de seu ser; é quando o homem come para viver,
porque viver é uma necessidade, mas não vive mais para comer.
A responsabilidade moral dos atos
da vida, portanto, permanece inteira; mas a razão diz que as consequências
desta responsabilidade devem estar em razão do desenvolvimento intelectual do
Espírito; quanto mais o Espírito é esclarecido, mais é indesculpável, porque
com a inteligência e o senso moral, nascem as noções do bem e do mal, do justo
e do injusto. O selvagem, ainda vizinho da animalidade, que cede ao instinto do
animal comendo seu semelhante, é, sem contradita, menos culpável que o homem
civilizado que comete uma simples injustiça.
Allan Kardec
Revista Espirita ANO 12
- MARÇO 1869 - Nº. 3 de Kardec
Nenhum comentário:
Postar um comentário