Os espíritos são as almas dos homens.
Os Espíritos são as almas dos
homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos,
cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos
maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos
prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir da vida
social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e
os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática
espírita não é impedi-Ia, mas esclarecê-la. Um temor imaginário pode
impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade
claramente demonstrada é compreensível para todos.
RECONHECEM-SE A
SUPERIORIDADE E INFERIORIDADE DOS ESPÍRITOS PELA LINGUAGEM: OS BONS SÓ
ACONSELHAM O BEM E SÓ DIZEM COISAS BOAS; OS MAUS ENGANAM E TODAS AS SUAS
PALAVRAS TRAZEM O CUNHO DA IMPERFEIÇÃO E DA IGNORÂNCIA.
A linguagem dos Espíritos
superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem qualquer mistura de
trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, nunca se vangloriam,
não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição entre os demais. A
linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares tem sempre algum reflexo das
paixões humanas. TODA EXPRESSÃO QUE REVELE BAIXEZA,
AUTO-SUFICIÊNCIA, ARROGÂNCIA, FANFARRONICE, MORDACIDADE É SINAL CARACTERÍSTICO
DE INFERIORIDADE. E DE MISTIFICAÇÃO, SE O ESPÍRITO SE APRESENTA COM UM NOME
RESPEITÁVEL E VENERADO.
Os Espíritos superiores se
exprimem de maneira simples, sem prolixidade. Seu estilo é conciso, sem excluir
a poesia das idéias e das expressões, claro, inteligível a todos, não exigindo
esforço para a compreensão. Eles possuem a arte de dizer muito em poucas
palavras, porque cada palavra tem o seu justo emprego. Os
Espíritos inferiores ou pseudo-sábios escondem sob frases empoladas o vazio das
idéias. Sua linguagem é sempre pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a
pretexto de parecer profunda.
OS ESPÍRITOS BONS
JAMAIS DÃO ORDENS: NÃO QUEREM IMPOR-SE, APENAS ACONSELHAM E SE NÃO FOREM
OUVIDOS SE RETIRAM. OS MAUS SÃO AUTORITÁRIOS, DÃO ORDENS, QUEREM SER OBEDECIDOS
E NÃO SE AFASTAM FACILMENTE.
Todo Espírito que se impõe trai a sua condição. São exclusivistas e absolutos
nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem a crença
cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria a
máscara.
Devemos igualmente
desconfiar dos Espíritos que se apresentam com muita facilidade usando nomes
bastante venerados, e só com muita reserva aceitar o que dizem. Nesses casos,
sobretudo, é que um controle severo se torna indispensável. Porque é freqüentemente a
máscara que usam para levar-nos a crer em pretensas relações íntimas com
Espíritos excelsos. Dessa maneira eles lisonjeiam a vaidade do médium e se
aproveitam dela para o induzirem a atos lamentáveis e ridículos.
Os Espíritos bons
só dão conselhos perfeitamente racionais. Toda recomendação que se afaste da
linha reta do bom senso ou das leis imutáveis da Natureza acusa a presença de
um Espírito estreito e portanto pouco digno de confiança.
Os Espíritos maus ou simplesmente
imperfeitos ainda se revelam por sinais materiais que a ninguém poderão
enganar. A ação que exercem sobre o médium é às vezes violenta, provocando
movimentos bruscos e sacudidos, uma agitação febril e convulsiva que contrasta
com a calma e a suavidade dos Espíritos bons.
Allan Kardec
O Livro dos Médiuns cap 24
Wilson Moreno
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