Uma idéia quase geral entre as pessoas que não conhecem o
Espiritismo é crer que os Espíritos, somente porque estão livres da matéria,
tudo devem saber e possuírem a soberana sabedoria. Aí está um erro grave.
Os Espíritos, não sendo senão as almas dos homens, não adquirem
a perfeição deixando seu envoltório terrestre. O progresso do Espírito não se
realiza senão com o tempo, e não é senão sucessivamente que ele se despoja de
suas imperfeições, que adquire os conhecimentos que lhe faltam. Seria tão
ilógico admitir que o Espírito de um selvagem ou de um criminoso se torne, de
repente, sábio e virtuoso, quanto seria contrário à justiça de Deus pensar que
ele permanecesse perpetuamente na inferioridade.
Como há homens de todos os graus de saber e de ignorância, de
bondade e de maldade, ocorre o mesmo com os Espíritos. Há os que são apenas
levianos e traquinas, outros são mentirosos, trapaceiros, hipócritas, maus,
vingativos; outros, ao contrário, possuem as mais sublimes virtudes e o saber
num grau desconhecido na Terra. Essa diversidade na qualidade dos Espíritos é
um dos pontos mais importantes a se considerar, porque explica a natureza boa
ou má das comunicações que se recebem; é em distingui-las que é preciso,
sobretudo, se aplicar. (O Livro dos Espíritos, nº 100, Escala Espírita. - O
Livro dos Médiuns, cap. XXIV.)
Da diversidade nas qualidades e
nas aptidões dos Espíritos, resulta que não basta se dirigir a um Espírito
qualquer para obter uma resposta justa a toda pergunta, porque, sobre muitas
coisas, não podem dar senão a sua opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa.
Se ele for sábio, confessará a sua ignorância sobre o que não sabe; se for
leviano ou mentiroso, responderá sobre tudo sem se importar com a verdade; se
for orgulhoso, dará a sua idéia como verdade absoluta. HAVERIA, POIS,
IMPRUDÊNCIA E LEVIANDADE EM ACEITAR, SEM CONTROLE, TUDO O QUE VEM DOS ESPÍRITOS.
Por isso, é essencial estar esclarecido quanto à natureza daqueles com os quais
se ocupe. (O Livro dos Médiuns, nº 257.)
Reconhece-se a qualidade dos Espíritos por sua linguagem; a dos
Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica,
isenta de contradições; anuncia a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a
mais pura moral; é concisa e sem palavras inúteis. Entre os Espíritos
inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vazio das idéias, quase sempre, é
compensado pela abundância das palavras. Todo
pensamento evidentemente falso, toda a máxima contrária à sã moral, todo
conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola,
enfim, toda marca de malevolência, de presunção ou de arrogância, são sinais
incontestáveis de inferioridade em um Espírito.
Allan Kardec
O que é o Espiritismo
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