Identificar os espíritos.
Vejamos esse texto de Kardec.
Com efeito, a facilidade com que
certas pessoas aceitam tudo o que vem do mundo invisível sob a cobertura de um
grande nome é o que encoraja os Espíritos mistificadores. Devemos aplicar toda
a nossa atenção em desfazer as tramas desses Espíritos, mas só o podemos fazer
com a ajuda da experiência, adquirida através de um estudo sério. Por isso
repetimos sem cessar: estudai antes de praticar, pois é esse o único meio de
não terdes de adquirir a experiência à vossa própria custa.
A linguagem dos Espíritos
superiores é sempre digna, elevada, nobre, sem qualquer mistura de
trivialidade. Eles dizem tudo com simplicidade e modéstia, nunca se vangloriam,
não fazem jamais exibição do seu saber nem de sua posição entre os demais. A
linguagem dos Espíritos inferiores ou vulgares tem sempre algum reflexo das
paixões humanas. Toda expressão que revele baixeza, auto-suficiência,
arrogância, fanfarronice, mordacidade é sinal característico de inferioridade.
E de mistificação, se o Espírito se apresenta com um nome respeitável e
venerado.
Os Espíritos levianos são ainda
reconhecidos pela facilidade com que predizem o futuro e se referem com
precisão a fatos materiais que não podemos conhecer. Os Espíritos bons podem
fazer-nos pressentir as coisas futuras, quando esse conhecimento for útil, mas
jamais precisam as datas. TODO ANÚNCIO DE ACONTECIMENTO PARA UMA ÉPOCA CERTA É
INDÍCIO DE MISTIFICAÇÃO.
Os Espíritos superiores se exprimem de maneira
simples, sem prolixidade. Seu estilo é conciso, sem excluir a poesia das idéias
e das expressões, claro, inteligível a todos, não exigindo esforço para a
compreensão. Eles possuem a arte de dizer muito em poucas palavras, porque cada
palavra tem o seu justo emprego. Os Espíritos inferiores ou pseudo-sábios
escondem sob frases empoladas o vazio das idéias. Sua linguagem é sempre
pretensiosa, ridícula ou ainda obscura, a pretexto de parecer profunda.
Os Espíritos bons jamais dão ordens: não
querem impor-se, apenas aconselham e se não forem ouvidos se retiram. Os maus
são autoritários, dão ordens, querem ser obedecidos e não se afastam
facilmente. Todo Espírito que se impõe trai a sua condição. São exclusivistas e
absolutos nas suas opiniões e pretendem possuir o privilégio da verdade. Exigem
a crença cega e nunca apelam para a razão, pois sabem que a razão lhes tiraria
a máscara.
Devemos desconfiar dos nomes
bizarros e ridículos usados por certos Espíritos que desejam impor-se à
credulidade. Seria extremamente absurdo tomar esses nomes a sério.
Devemos igualmente desconfiar dos
Espíritos que se apresentam com muita facilidade usando nomes bastante
venerados, e só com muita reserva aceitar o que dizem. Nesses casos, sobretudo,
é que um controle severo se torna indispensável. Porque é freqüentemente a
máscara que usam para levar-nos a crer em pretensas relações íntimas com
Espíritos excelsos. Dessa maneira eles lisonjeiam a vaidade do médium e se
aproveitam dela para o induzirem a atos lamentáveis e ridículos.
Allan Kardec
O Livro dos Médiuns cap 24
Wilson Moreno
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