domingo, 23 de abril de 2017

Kardec explica nesse importantíssimo texto que não basta ser bom, correto, honesto e caridoso para afastar os maus espíritos. Isso não basta é preciso outras condições morais vejam o texto de Kardec.




Kardec explica nesse importantíssimo texto que não basta ser bom, correto, honesto e caridoso para afastar os maus espíritos.
Isso não basta é preciso outras condições morais vejam o texto de Kardec.

Revista Espírita ANO 2  -  FEVEREIRO 1859 - Nº. 2

AS BOAS INTENÇÕES, A PRÓPRIA MORALIDADE DO MÉDIUM NEM SEMPRE BASTAM PARA EVITAR A INTROMISSÃO DOS ESPÍRITOS LEVIANOS, MENTIROSOS E PSEUDO-SÁBIOS NAS COMUNICAÇÕES.  Além das falhas de seu próprio Espírito, pode dar-lhes entrada por outras causas das quais a principal é a fraqueza de caráter e uma confiança excessiva na invariável superioridade dos Espíritos que com ele se comunicam. Essa confiança cega reside numa causa que a seguir explicaremos.

SE NÃO QUISERMOS SER VÍTIMAS DE ESPÍRITOS LEVIANOS, É NECESSÁRIO JULGÁ-LOS, E PARA ISSO TEMOS UM CRITÉRIO INFALÍVEL: O BOM SENSO E A RAZÃO. 

 Sabemos que as qualidades de linguagem, que caracterizam entre nós os homens realmente bons e superiores, são as mesmas para os Espíritos.
DEVEMOS JULGÁ-LOS POR SUA LINGUAGEM.

Nunca seria demais repetir o que a caracteriza nos Espíritos elevados: é constantemente digna, nobre, sem basófia nem contradição, isenta de trivialidades, marcada por um cunho de inalterável benevolência. Os bons Espíritos aconselham; não ordenam; não se impõem; calam-se naquilo que ignoram. Os Espíritos levianos falam com a mesma segurança do que sabem e do que não sabem; a tudo respondem sem se preocuparem com a verdade.  Em mensagem supostamente séria, vimo-los, com imperturbável audácia, colocar César no tempo de Alexandre; outros afirmavam que não é a Terra que gira em redor do Sol.

Resumindo: toda expressão grosseira ou apenas inconveniente, toda marca de orgulho e de presunção, toda máxima contrária à sã moral, toda notória heresia científica é, nos Espíritos como nos homens, inconteste sinal de natureza má, de ignorância ou, pelo menos, de leviandade. 

DE ONDE SE SEGUE QUE É NECESSÁRIO PESAR TUDO QUANTO ELES DIZEM, PASSANDO-O PELO CRIVO DA LÓGICA E DO BOM SENSO. Eis uma recomendação feita incessantemente pelos bons Espíritos. Dizem eles: Deus não vos deu o raciocínio sem propósito. Servi-vos dele a fim de saber o que estais fazendo. “Os maus Espíritos temem o exame. Dizem eles: Aceitai nossas palavras e não as julgueis”. Se tivessem a consciência de estar com a verdade, não temeriam a luz.

O HÁBITO DE PERSCRUTAR AS MENORES PALAVRAS DOS ESPÍRITOS, DE LHES PESAR O VALOR – DO PONTO DE VISTA DO CONTEÚDO E NÃO DA FORMA GRAMATICAL, COM QUE POUCO SE PREOCUPAM ELES – NATURALMENTE AFASTA OS ESPÍRITOS MAL INTENCIONADOS, que não viriam então inutilmente perder o tempo, de vez que rejeitamos tudo quanto é mau ou tem origem suspeita. Mas quando aceitamos cegamente tudo quanto dizem, quando, por assim dizer, nos ajoelhamos ante sua pretensa sabedoria, eles fazem o que fariam os homens, eles abusam de nós.

Se o médium for senhor de si, se não se deixar dominar por um entusiasmo irrefletido, poderá fazer o que aconselhamos. Mas acontece freqüentemente que o Espírito o subjuga a ponto de o fascinar, levando-o a considerar admiráveis as coisas mais ridículas; então ele se entrega cada vez mais a essa perniciosa confiança e, ESTRIBADO EM SUAS BOAS INTENÇÕES E EM SEUS BONS SENTIMENTOS, JULGA ISTO SUFICIENTE PARA AFASTAR OS MAUS ESPÍRITOS. NÃO, ISSO NÃO BASTA: ESSES ESPÍRITOS FICAM SATISFEITOS POR FAZÊ-LO CAIR NA CILADA, PARA O QUE APROVEITAM SUA FRAQUEZA E SUA CREDULIDADE. Que fazer, então? Expor tudo a uma terceira pessoa desinteressada, para que esta, julgando com calma e sem prevenção, possa ver um argueiro onde o médium não via uma trave.

Revista Espírita ANO 2  -  FEVEREIRO 1859 - Nº. 2  de Kardec

Wilson Moreno

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