Os espíritos são as almas dos
homens.
Os Espíritos são as almas dos
homens, e como os homens não são perfeitos, há também Espíritos imperfeitos,
cujo caráter se reflete nas comunicações. É incontestável que há Espíritos
maus, astuciosos, profundamente hipócritas, contra os quais devemos nos
prevenir. Mas por encontrar os perversos entre os homens devemos fugir da vida
social? Deus nos deu a razão e o discernimento para apreciarmos os Espíritos e
os Homens. A melhor maneira de evitar os possíveis inconvenientes da prática
espírita não é impedi-Ia, mas esclarecê-la. Um temor imaginário pode
impressionar por um instante e não atinge a todos, enquanto a realidade
claramente demonstrada é compreensível para todos.
Reconhecem-se a superioridade e
inferioridade dos Espíritos pela linguagem: os bons só aconselham o bem e só
dizem coisas boas; os maus enganam e todas as suas palavras trazem o cunho da
imperfeição e da ignorância.
Os diversos graus porque passam
os Espíritos constam da Escala Espírita (O Livro dos Espíritos, II parte, cap.
VI, nº 100). O estudo dessa classificação é indispensável para se avaliar a
natureza dos Espíritos que se manifestam e suas boas e más qualidades.
Julgamos os Espíritos, já o
dissemos, pela linguagem, como julgamos os homens. Suponhamos que um homem
receba vinte cartas de pessoas que não conhece. Pelo estilo, pelas idéias, por
numerosos indícios julgará quais são as instruídas e quais as ignorantes,
educadas ou sem educação, profundas, frívolas, orgulhosas, sérias, levianas,
sentimentais etc. Acontece o mesmo com os Espíritos. Devem considerá-los como
correspondentes que nunca vimos e perguntar o que pensaríamos da cultura e do
caráter de um homem que dissesse ou escrevesse aquelas coisas. Podemos tomar
como regra invariável e sem exceção que a linguagem dos Espíritos corresponde
sempre ao seu grau de elevação.
Os Espíritos realmente superiores
não se limitam apenas a dizer boas coisas, mas as dizem em termos que excluem
absolutamente qualquer trivialidade. Por melhores que sejam essas coisas, se
forem manchadas por única expressão de baixeza temos um sinal indubitável de
inferioridade. E com mais forte razão se o conjunto da comunicação ferir as
conveniências por sua grosseria. A linguagem revela sempre a sua origem, seja
pelo pensamento ou pela forma. Assim, mesmo que um Espírito quisesse
enganar-nos com a sua pretensa superioridade, bastaria conversarmos algum tempo
com ele para o julgarmos.
Allan Kardec
O Livro dos Médiuns.
Wilson Moreno
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