Os espíritos impostores.
Revista Espirita ANO 1
- AGOSTO 1858 - Nº. 8 de
Kardec
Os fatos provam que os Espíritos
impostores se vestem, sem escrúpulo, de nomes reverenciados para melhor
recomendar suas torpezas, o que se faz, também algumas vezes, mesmo entre nós.
Do fato de que um Espírito se apresente sob um nome qualquer, isso não é razão
para que seja realmente quem pretende ser mas há, na linguagem dos Espíritos
sérios, um cunho de dignidade com o qual não se poderia equivocar: ela não
respira senão a bondade e a benevolência, e jamais se desmente. A dos Espíritos
impostores, ao contrário, por algum verniz que a enfeite, deixa sempre, como se
diz vulgarmente, adivinhar seu verdadeiro caráter. Não há, pois, nada de
espantoso que, "sob nomes usurpados, Espíritos inferiores ensinem coisas
disparatadas. Cabe ao observador procurar conhecer a verdade, e poderá, sem
dificuldade, se quiser se compenetrar do que dissemos a esse respeito em nossa Instrução
Prática (hoje O Livro dos Médiuns).
Esses mesmos Espíritos lisonjeiam
em geral os gostos e as inclinações das pessoas que sabem de caráter bastante
fraco e bastante crédulo para escutá-los; fazem ecos de seus preconceitos e
mesmo de suas idéias supersticiosas, e isso por razão muito simples, que é de
que os Espíritos são atraídos por sua simpatia, pelo Espírito de pessoas que os
chamam ou que os escutam com
prazer.
Espíritos verdadeiramente bons e
superiores; tudo neles respira a doçura e a benevolência; a irritação, a
violência, a grosseria e a dureza da linguagem, fosse mesmo para dizer boas
coisas, jamais são o sinal de uma superioridade real. OS ESPÍRITOS
VERDADEIRAMENTE BONS NÃO SE IRRITAM NEM SE ENFURECEM NUNCA: SE NÃO SÃO
ESCUTADOS, VÃO-SE; EIS TUDO.
Há, ainda, duas causas de
contradições aparentes que não devemos passar em silêncio. Os Espíritos
inferiores, como dissemos em muitas ocasiões, dizem tudo o que querem sem se
importarem com a verdade; os Espíritos superiores se calam ou se recusam a
responder quando alguém lhes faz uma pergunta indiscreta, ou sobre a qual não
lhes é permitido se explicarem. Nesse caso, disseram-nos, "não insistais
nunca, porque são os Espíritos levianos que respondem e que vos enganam, credes
que somos nós, e podeis pensar que nos contradizemos. Os Espíritos sérios não
se contradizem nunca; sua linguagem é sempre a mesma, com as mesmas pessoas. Se
um deles diz coisas contrárias sob um mesmo nome, estejais seguros de que esse
não é o mesmo Espírito que fala ou, pelo menos, que não é um bom Espírito. RECONHECEREIS
OS BONS PELOS PRINCÍPIOS QUE ENSINAM, PORQUE TODO ESPÍRITO QUE NÃO ENSINA O BEM
NÃO É UM BOM ESPÍRITO, E DEVEIS REPELI-LO."
Allan Kardec
Revista Espirita ANO 1
- AGOSTO 1858 - Nº. 8 de
Kardec
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