quinta-feira, 20 de abril de 2017

Muito importante esse texto de Kardec para combater as mistificações e as obsessões.



Muito importante esse texto de Kardec para combater as mistificações e as obsessões.

Revista Espirita ANO 3 - ABRIL 1860 - Nº. 4 de Kardec 

Não basta ser Espírito para possuir a ciência universal, de outro modo a morte nos tornaria quase ou iguais a Deus. O simples bom senso, de resto, recusa-se a admitir que o Espírito de um selvagem, de um ignorante ou de um mau, desde o momento que esteja livre da matéria, esteja no nível de sábio ou do homem de bem; isso não seria racional. Há, pois, Espíritos avançados, e outros mais ou menos atrasados que devem percorrer mais de uma etapa, passar por numerosos e severos exames, antes de estarem despojados de todas as suas imperfeições. ISSO RESULTA QUE SE ENCONTRAM, NO MUNDO DOS ESPÍRITOS, TODAS AS VARIEDADES MORAIS E INTELECTUAIS QUE SE ENCONTRAM ENTRE OS HOMENS, E MUITAS OUTRAS AINDA; ORA, A EXPERIÊNCIA PROVA QUE OS MAUS SE COMUNICAM TÃO BEM QUANTO OS BONS.

Aqueles que são francamente maus são facilmente reconhecíveis; mas há também, entre eles, os meio sábios, os falsos sábios, os presunçosos, os sistemáticos e mesmo os hipócritas; aqueles são os mais perigosos porque afetam uma aparência de seriedade, de sabedoria e de ciência, a favor da qual debitam, freqüentemente, no meio de algumas verdades, de algumas boas máximas, as coisas mais absurdas; e para melhor enganarem, não temem em se ornarem com os nomes mais respeitáveis.

DISTINGUIR O VERDADEIRO DO FALSO, DESCOBRIR A FRAUDE ESCONDIDA SOB UMA PARADA DE GRANDES PALAVRAS, DESMASCARAR OS IMPOSTORES, EIS AÍ, SEM CONTRADITA, UMA DAS MAIORES DIFICULDADES DA CIÊNCIA ESPÍRITA.

Para superá-la é preciso uma longa experiência, conhecer todas as astúcias das quais são capazes os Espíritos de baixo estágio, ter muita prudência, ver as coisas com o mais imperturbável sangue frio, e se guardar, sobretudo, contra o entusiasmo que cega. Com habilidade e um pouco de tato chega-se facilmente a ver a ponta da orelha, mesmo sob a ênfase da mais pretensiosa linguagem.

Mas infeliz o médium que se crê infalível, que se ilude sobre as comunicações que recebe: o Espírito que o domina pode fasciná-lo ao ponto de fazê-lo achar sublime o que, freqüentemente, é simples absurdo e salta aos olhos de todos quanto dele mesmo.

Quanto mais os nomes sejam elevados, mais é necessário acolhê-los com circunspeção, e temer ser o joguete de uma mistificação. Em resumo, o grande critério do ensinamento dado pelos Espíritos é a lógica. Deus deu-nos o juízo e a razão para deles nos servirmos; os bons Espíritos no-lo recomendam, e nisso dão uma prova de sua superioridade; os outros disso se guardam muito bem: querem ser acreditados sob palavra, pois bem sabem que têm tudo a perder com o exame.

Temos, pois, como se vê, muitos motivos para não aceitarmos, levianamente, todas as teorias dadas pelos Espíritos. Quando uma nos surge, nos limitamos ao papel de observador; fazemos abstração de sua origem espírita, sem nos deslumbrarmos pela imponência de nomes pomposos; nós a examinamos como se ela emanasse de um simples mortal, E VEMOS SE É RACIONAL, se dá conta de tudo, se resolve todas as dificuldades.

Revista Espirita ANO 3 - ABRIL 1860 - Nº. 4 de Kardec 

Wilson Moreno 


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