As orientações de Kardec sobre as mistificações e como combater os espíritos embusteiros e mistificadores.
Essas orientações vocês não vão achar em obras mediúnicas.
Vejamos o texto.
Da
diversidade de qualidades e aptidões dos Espíritos, resulta que não
basta nos dirigirmos a qualquer deles para obtermos a exata resposta a
uma pergunta, pois sobre muitas coisas só lhes é permitido dar opinião
pessoal, que pode ser ou não ser verdadeira. Se ele for prudente,
confessará sua ignorância no assunto; se leviano ou mentiroso,
responderá a tudo, pouco cuidando da verdade; e se for orgulhoso,
apresentará seu ponto de vista como verdade inconteste.
Por isso, disse João Evangelista: NÃO CREIAIS EM TODO ESPÍRITO; MAS PROVAI SE OS ESPÍRITOS SÃO DE DEUS.
A
experiência prova a sabedoria desse conselho. Seria pois, imprudência e
leviandade aceitar sem provas tudo o que vem dos Espíritos. Por isso, é
essencial estarmos instruídos sobre a natureza daqueles com quem nos
comunicamos. (O Livro dos Médiuns, num. 267).
Conhece-se a
qualidade dos Espíritos pelo que dizem. As palavras dos verdadeiramente
bons e superiores são sempre dignas, nobres, lógicas e isentas de
contradição. Respiram sabedoria, benevolência, modéstia e a moral mais
pura; são concisas e não contêm redundâncias. Nos Espíritos inferiores,
ignorantes e orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado
pela abundância de palavra. TODO PENSAMENTO EVIDENTEMENTE FALSO, TODA
MÁXIMA CONTRÁRIA À SÃ MORAL, TODO CONSELHO RIDÍCULO, TODA EXPRESSÃO
GROSSEIRA, TRIVIAL OU SIMPLESMENTE FRÍVOLA, TODO SINAL, DE MALEVOLÊNCIA,
DE PRESUNÇÃO OU DE ARROGÂNCIA, SÃO INCONTESTÁVEIS ÍNDICES DA
INFERIORIDADE DO ESPÍRITO.
Por menos iniciado que se esteja nos
mistérios do mundo espiritual, sabe-se da facilidade com que certos
Espíritos se enfeitam com nomes de empréstimo, para dar autoridade às
suas palavras. E pode-se concluir, com certeza, que de duas comunicações
contraditórias e subscritas pelo mesmo nome respeitável, uma é
necessariamente apócrifa.
Dois meios há que podem servir para
indicar a correta atitude nas questões duvidosas: o primeiro consiste em
SUBMETER TODAS AS COMUNICAÇÕES AO EXAME SEVERO DA RAZÃO, DO BOM SENSO E
DA LÓGICA: é a recomendação que fazem todos os bons Espíritos o que,
cuidadosamente, evitam os mentirosos, pois sabem perfeitamente que o
exame acurado viria fatalmente os prejudicar. Por isso evitam a
discussão e querem ser acreditados sem objeção.
O segundo
critério da verdade é a concordância do ensino. Quando um mesmo
princípio é ensinado em lugares diferentes, por diferentes Espíritos e
médiuns estranhos uns aos outros e que não estejam sob a mesma
influência, pode-se concluir que é mais verdadeiro no que um outro que
emana de uma só origem e é contraditado pela maioria. (O Livro dos
Médiuns, cap. XXVII: Contradições e mistificações. - O Evangelho segundo
o Espiritismo, introdução. Autoridade da Doutrina Espírita).
Da obra O que é o Espiritismo item 36, 37 e 99
Allan Kardec
Wilson Moreno
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