sábado, 22 de abril de 2017

Os perigos da Mediunidade vejamos as orientações de Kardec sobre essa importantíssima questão.



Os perigos da Mediunidade vejamos as orientações de Kardec sobre essa importantíssima questão.

Revista Espírita ANO 1 - OUTUBRO 1858 - Nº. 10 de Kardec.

Os médiuns alguns o progresso é lento, bastante lento mesmo, muitas vezes submetendo a paciência a uma rude prova. Noutros esse progresso é rápido e, em pouco tempo, chega o médium a escrever com tanta facilidade e, algumas vezes, com mais presteza do que o faria em seu estado habitual. 

É ENTÃO QUE PODE TOMAR-SE DE ENTUSIASMO E É EXATAMENTE NISSO QUE ESTÁ O PERIGO, PORQUANTO O ENTUSIASMO ENFRAQUECE E COM OS ESPÍRITOS É PRECISO SER FORTE. 

Parece um paradoxo dizer que o entusiasmo enfraquece, nada havendo, porém, de mais verdadeiro. Dir-se-á que o entusiasta marcha com uma convicção e uma confiança que lhe permitem superar todos os obstáculos; portanto, tem mais força. 

Sem dúvida; contudo, tanto nos entusiasmamos pelo falso quanto pelo verdadeiro; apegai-vos às mais absurdas idéias do entusiasta e delas fareis tudo o que quiserdes; o objeto de seu entusiasmo é, pois, seu lado fraco e por aí podereis sempre dominá-lo.

O HOMEM FRIO E IMPASSÍVEL, AO CONTRÁRIO, VÊ AS COISAS SEM SE DEIXAR ENGANAR: COMBINA, PESA, AMADURECE E NÃO É SEDUZIDO POR NENHUM SUBTERFÚGIO; É ISSO QUE LHE DÁ FORÇA. Os Espíritos malévolos, que sabem disso tão bem ou mais do que nós, também sabem empregá-lo em seu proveito para subjugar aqueles que desejam manter sob sua dependência; e a faculdade de escrever como médium lhes serve maravilhosamente, visto ser um meio poderoso de captar a confiança, da qual se aproveitam se não mantemos a necessária vigilância. Felizmente, como veremos mais tarde, o próprio mal traz em si o remédio.

Seja por entusiasmo, por fascinação dos Espíritos, ou por amor-próprio, em geral o médium psicógrafo é levado a crer que são superiores os Espíritos que com ele se comunicam, SOBRETUDO QUANDO TAIS ESPÍRITOS, APROVEITANDO-SE DESSA PRESUNÇÃO, ADORNAM-SE DE TÍTULOS POMPOSOS, TOMANDO NOMES DE SANTOS, DE SÁBIOS, DE ANJOS E DA PRÓPRIA VIRGEM MARIA, CONFORME A NECESSIDADE E SEGUNDO AS CIRCUNSTÂNCIAS. 

E, para desempenhar seu papel de comediantes, chegam até mesmo a portar a indumentária extravagante das personagens que representam. Tirai suas máscaras e vereis que se transformam no que sempre foram: ilustres desconhecidos; é o que necessariamente devemos fazer, tanto com os Espíritos, quanto com os homens.

Da crença cega e irrefletida na superioridade dos Espíritos que se comunicam, à confiança em suas palavras não há senão um passo; é o que também acontece entre os homens. Se conseguirem inspirar essa confiança, haverão de sustentá-la por meio de sofismas e dos mais capciosos raciocínios, perante os quais freqüentemente inclinamos a cabeça. 

Os Espíritos grosseiros são menos perigosos: reconhecemo-los imediatamente e só inspiram repugnância. OS MAIS TEMÍVEIS, EM SEU MUNDO, COMO NO NOSSO, SÃO OS ESPÍRITOS HIPÓCRITAS: FALAM SEMPRE COM DOÇURA, LISONJEANDO AS MENTES PREDISPOSTAS; SÃO MEIGOS, ADULADORES, PRÓDIGOS EM EXPRESSÕES DE TERNURA E EM PROTESTOS DE DEVOTAMENTO. 

É preciso ser realmente forte para resistir a semelhantes seduções. 

Revista Espírita ANO 1 - OUTUBRO 1858 - Nº. 10 de Kardec.

Wilson Moreno



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