Estudando as crendices,
superstições e misticismo vejam esse texto de Kardec.
Ao fazer um estudo sobre os
Possessos de Morzine, as causas da obsessão e os meios de combatê-la, na
Revista Espírita de dezembro de 1862, o fundador do Espiritismo teve a oportunidade
de asseverar:
"Certas pessoas preferem, sem dúvida, uma receita mais fácil para afastar os maus Espíritos: algumas palavras a dizer ou alguns sinais afazer, por exemplo, o que seria mais cômodo do que se corrigir de seus defeitos. Com isso não estamos descontentes, mas não conhecemos nenhum outro procedimento mais eficaz para vencer um inimigo do que ser mais forte do que ele. Quando se está doente, é preciso se resignar a tomar um remédio, por amargo que ele seja; mas também, quando se teve a coragem de beber, como se sente bem, e quanto se é forte! É PRECISO, POIS, SE PERSUADIR DE QUE NÃO HÁ, PARA ALCANÇAR ESSE OBJETIVO, NEM PALAVRAS SACRAMENTAIS, NEM FÓRMULAS, NEM TALISMÃS, NEM QUAISQUER SINAIS MATERIAIS. OS MAUS ESPÍRITOS DISSO SE RIEM E SE ALEGRAM FREQÜENTEMENTE EM INDICAREM QUE SEMPRE TÊM O CUIDADO DE SE DIZER INFALÍVEIS, PARA MELHOR CAPTAR A CONFIANÇA DAQUELES QUE QUEREM ENGANAR, PORQUE ENTÃO ESTES CONFIANTES NA VIRTUDE DO PROCEDIMENTO, SE ENTREGAM SEM MEDO."
E no artigo Causas da obsessão e meios de combate V, da Revista Espírita de maio de 1863, Allan Kardec encerra com maestria: "A pureza de coração e de intenção, o amor de Deus e do próximo, eis o melhor talismã, porque lhes tira todo império sobre as nossas almas".
Em O Livro dos Médiuns, no item
282, Kardec novamente interrogou os Espíritos acerca do assunto:
17ª Certos objetos, como medalhas e talismãs, têm a propriedade de atrair ou repelir os Espíritos conforme pretendem alguns?
"Esta pergunta era escusada (desnecessária), porquanto bem sabes que a matéria nenhuma ação exerce sobre os Espíritos. Fica bem certo de que nunca um bom Espírito aconselhará semelhantes absurdidades. A virtude dos talismãs, de qualquer natureza que sejam, jamais existiu, senão, na imaginação das pessoas crédulas."
Na Revista Espírita de setembro de 1858, encontramos o seguinte.
"Os Espíritos são atraídos
ou repelidos pelo pensamento, e não por objetos materiais que não têm nenhum
poder sobre eles.
Os Espíritos superiores, em todos
os tempos, condenaram o emprego de sinais e de formas cabalísticas, e todo
Espírito que lhes atribui uma virtude qualquer, ou que pretenda dar talismãs
que aparentem a magia, revela, com isso, sua inferioridade, esteja agindo de
boa fé ou por ignorância, em conseqüência de antigos preconceitos terrestres
dos quais estejam imbuídos, seja porque queira conscientemente divertir-se com
a credulidade, como Espírito zombeteiro.
Os sinais cabalísticos, quando
não são pura fantasia, são símbolos que lembram as crenças supersticiosas
quanto à virtude de certas coisas, como os números, os planetas, e sua
concordância com os metais, crenças nascidas nos tempos da ignorância, e que
repousam sobre erros manifestos, dos quais a ciência fez justiça mostrando o
que eram os pretensos sete planetas, sete metais, etc. A forma mística e
ininteligível desses emblemas tinha por objetivo impor ao vulgo ver o
maravilhoso naquilo que não compreendia.
Quem estudou a natureza dos
Espíritos, não pode admitir racionalmente, sobre eles, a influência de formas
convencionais, nem de substâncias misturadas em certas proporções; isso seria
renovar as práticas da caldeira dos feiticeiros, de gato preto, de galinha
preta e outros feitiços. Não ocorre o mesmo com um objeto magnetizado que, como
se sabe, tem o poder de provocar o sonambulismo ou certos fenômenos nervosos
sobre a economia; mas, então, a virtude desse objeto reside unicamente no
fluido do qual está momentaneamente impregnado e que se transmite, assim, por
via mediata, e não em sua forma, em sua cor, nem sobretudo nos sinais com os
quais pode estar sobrecarregado.
Um Espírito pode dizer Traçai tal sinal, e a esse sinal reconhecerei que chamais e virei; mas nesse caso o sinal traçado não é senão a expressão do pensamento; é uma evocação traduzida de um modo material; ora, os Espíritos, qualquer que seja sua natureza, não têm necessidade de semelhantes meios para se comunicarem; os Espíritos superiores não os empregam nunca; os Espíritos inferiores podem fazê-lo tendo em vista fascinar a imaginação de pessoas crédulas, que querem ter sob sua dependência.
Um Espírito pode dizer Traçai tal sinal, e a esse sinal reconhecerei que chamais e virei; mas nesse caso o sinal traçado não é senão a expressão do pensamento; é uma evocação traduzida de um modo material; ora, os Espíritos, qualquer que seja sua natureza, não têm necessidade de semelhantes meios para se comunicarem; os Espíritos superiores não os empregam nunca; os Espíritos inferiores podem fazê-lo tendo em vista fascinar a imaginação de pessoas crédulas, que querem ter sob sua dependência.
Regra geral: todo Espírito que
liga mais importância à forma do que ao fundo é inferior, e não merece nenhuma
confiança, ainda mesmo se, de tempo em tempo, disser algumas coisas boas; porque
essas boas coisas podem ser um meio de sedução."
Allan Kardec
Na Revista Espírita de setembro
de 1858
Wilson Moreno
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