Pensamento e Fluidos.
Revista Espirita ANO 10 - MAIO 1867 -
Nº. 5 de Kardec
Um
princípio perfeitamente averiguado por todo Espírita, é que as qualidades do
fluido perispiritual estão em razão direta das qualidades do Espírito encarnado
ou desencarnado; quanto mais seus sentimentos são elevados e livres das
influências da matéria, mais seu fluido é depurado. Segundo os pensamentos que
dominam num encarnado, ele irradia raios impregnados desses mesmos pensamentos
que os viciam ou os saneiam, fluidos realmente materiais, embora impalpáveis,
invisíveis para os olhos do corpo, mas perceptíveis para os sentidos
perispirituais, e visíveis para os olhos da alma, uma vez que impressionam
fisicamente e tomam aparências muito diferentes para aqueles que estão dotados
da visão espiritual.
Unicamente
pelo fato da presença dos encarnados numa assembléia, os fluidos ambientes
serão, pois, salubres ou insalubres, segundo os pensamentos dominantes sejam
bons ou maus. Quem traz consigo pensamentos de ódio, de inveja, de ciúme, de
orgulho, de egoísmo, de animosidade, de cupidez, de falsidade, de hipocrisia,
de maledicência, de malevolência, em uma palavra, pensamentos hauridos na fonte
das más paixões, espalha ao seu redor eflúvios fluídicos malsãos, que reagem
sobre aqueles que o cercam.
Numa
assembléia, ao contrário, onde todos não trouxessem senão sentimentos de
bondade, de caridade, de humildade, de devotamento desinteressado, de
benevolência e de amor ao próximo, o ar estará impregnado de emanações
saudáveis no meio das quais sente-se viver mais comodamente.
SE
SE CONSIDERA AGORA QUE OS PENSAMENTOS ATRAEM OS PENSAMENTOS DA MESMA NATUREZA,
QUE OS FLUIDOS ATRAEM OS FLUIDOS SIMILARES, COMPREENDE-SE QUE CADA INDIVÍDUO
CONDUZ CONSIGO UM CORTEJO DE ESPÍRITOS SIMPÁTICOS, BONS OU MAUS, e que assim o
ar está saturado de fluidos em relação com os pensamentos predominantes.
Se os maus pensamentos estão em minoria, eles não impedirão as boas influências
de se produzirem, mas as paralisam.
Se
eles dominam, enfraquecem a irradiação fluídica dos bons Espíritos, ou mesmo
por vezes, impedem os bons fluídos de penetrar nesse meio, como o nevoeiro
enfraquece ou detém os raios do sol.
Qual
é, pois, o meio de se subtrair à influência dos maus fluidos? Este meio
ressalta da própria causa que produz o mal. Que se faz quando se reconheceu que
um alimento é contrário à saúde? É rejeitado, e se os substitui por um alimento
mais sadio. Uma vez que são os maus pensamentos que engendram os maus fluidos e
os atraem, é preciso se esforçar de deles não ter senão bons, repelindo tudo o
que é mau, como se repele um alimento que pode nos tornar doentes, em uma
palavra, trabalhar pela sua melhoria moral, e, para nos servir de uma
comparação do Evangelho, "não só limpar o vaso por fora, mas limpá-lo,
sobretudo, por dentro."
Allan
Kardec
Revista Espirita ANO 10 - MAIO 1867 -
Nº. 5 de Kardec
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