quarta-feira, 19 de julho de 2017

As Orientações doutrinarias de Kardec procurem memorizar essas observações para se combater as mistificações e o falso espiritismo.



As Orientações doutrinarias de Kardec procurem memorizar essas observações para se combater as mistificações e o falso espiritismo.

Por menos iniciado que se esteja nos mistérios do mundo espiritual, sabe-se da facilidade com que certos Espíritos se enfeitam com nomes de empréstimo, para dar autoridade às suas palavras. E pode-se concluir, com certeza, que de duas comunicações contraditórias e subscritas pelo mesmo nome respeitável, uma é necessariamente apócrifa.

Dois meios há que podem servir para indicar a correta atitude nas questões duvidosas: O PRIMEIRO CONSISTE EM SUBMETER TODAS AS COMUNICAÇÕES AO EXAME SEVERO DA RAZÃO, DO BOM SENSO E DA LÓGICA: É A RECOMENDAÇÃO QUE FAZEM TODOS OS BONS ESPÍRITOS O QUE, CUIDADOSAMENTE, EVITAM OS MENTIROSOS, POIS SABEM PERFEITAMENTE QUE O EXAME ACURADO VIRIA FATALMENTE OS PREJUDICAR. POR ISSO EVITAM A DISCUSSÃO E QUEREM SER ACREDITADOS SEM OBJEÇÃO.

O segundo critério da verdade é a concordância do ensino. Quando um mesmo princípio é ensinado em lugares diferentes, por diferentes Espíritos e médiuns estranhos uns aos outros e que não estejam sob a mesma influência, pode-se concluir que é mais verdadeiro no que um outro que emana de uma só origem e é contraditado pela maioria. (O Livro dos Médiuns, cap. XXVII: Contradições e mistificações. - O Evangelho segundo o Espiritismo, introdução. Autoridade da Doutrina Espírita).

Não devemos julgar os Espíritos pelo aspecto formal e a correção do seu estilo, MAS SONDAR-LHES O ÍNTIMO, ANALISAR SUAS PALAVRAS, PESÁ-LAS FRIAMENTE, MADURAMENTE E SEM PREVENÇÃO. TODA FALTA DE LÓGICA, DE RAZÃO E DE PRUDÊNCIA NÃO PODE DEIXAR DÚVIDA QUANTO À SUA ORIGEM, qualquer que seja o nome de que o Espírito se enfeite.
Os Espíritos bons só dizem o que sabem, calando-se ou confessando a sua ignorância sobre o que não sabem. Os maus falam de tudo com segurança, sem se importar com a verdade. TODA HERESIA CIENTÍFICA NOTÓRIA, TODO PRINCÍPIO QUE CHOQUE O BOM SENSO REVELA A FRAUDE, SE O ESPÍRITO SE APRESENTA COMO ESCLARECIDO.

Conhece-se a qualidade dos Espíritos pelo que dizem. As palavras dos verdadeiramente bons e superiores são sempre dignas, nobres, lógicas e isentas de contradição. Respiram sabedoria, benevolência, modéstia e a moral mais pura; são concisas e não contêm redundâncias. Nos Espíritos inferiores, ignorantes e orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de palavra. TODO PENSAMENTO EVIDENTEMENTE FALSO, TODA MÁXIMA CONTRÁRIA À SÃ MORAL, TODO CONSELHO RIDÍCULO, TODA EXPRESSÃO GROSSEIRA, TRIVIAL OU SIMPLESMENTE FRÍVOLA, TODO SINAL, DE MALEVOLÊNCIA, DE PRESUNÇÃO OU DE ARROGÂNCIA, SÃO INCONTESTÁVEIS ÍNDICES DA INFERIORIDADE DO ESPÍRITO.

Um dos característicos dos maus Espíritos é a imposição. Dão ordens e desejam ser obedecidos. Os bons nunca se impõem. Aconselham, e, quando não são ouvidos, retiram-se. Disto resulta que a sensação produzida pêlos maus Espíritos é sempre penosa e fatigante, originando uma espécie de mal-estar. Amiúde provocam  uma agitação febril, movimentos bruscos e desenfreados. Ao influxo dos bons Espíritos, pelo contrário, as sensações são mansas e suaves e produzem um admirável bem-estar.

Da diversidade de qualidades e aptidões dos Espíritos, resulta que não basta nos dirigirmos a qualquer deles para obtermos a exata resposta a uma pergunta, pois sobre muitas coisas só lhes é permitido dar opinião pessoal, que pode ser ou não ser verdadeira. Se ele for prudente, confessará sua ignorância no assunto; se leviano ou mentiroso, responderá a tudo, pouco cuidando da verdade; e se for orgulhoso, apresentará seu ponto de vista como verdade inconteste.

Por isso, disse João Evangelista: NÃO CREIAIS EM TODO ESPÍRITO; MAS PROVAI SE OS ESPÍRITOS SÃO DE DEUS.

A experiência prova a sabedoria desse conselho. SERIA POIS, IMPRUDÊNCIA E LEVIANDADE ACEITAR SEM PROVAS TUDO O QUE VEM DOS ESPÍRITOS. Por isso, é essencial estarmos instruídos sobre a natureza daqueles com quem nos comunicamos. (O Livro dos Médiuns, num. 267).

Allan Kardec
O que é o Espiritismo

Wilson Moreno

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